Navegando pelo Br-Linux, achei um artigo muito interessante sobre o livro “The Future of the Internet and How to Stop It” de Jonathan Zittrain, professor da Universidade de Oxford, que trata sobre como periféricos fechados como o iPhone e o XBOX estão matando a internet como a conhecemos.
Confesso que o que me chamou a atenção foi o título do artigo, que me pareceu extremamente tendencioso, ou no mínimo forte, mas digo que vale a leitura.
O que o professor de Oxford fala é que, a internet generativa – definida por ele mesmo como aberta – está morrendo, principalmente por causa da segurança, ou no caso, a falta dela, vide vírus, worms, trojans, etc. A falta de segurança faz com que o usuário final cada vez mais queira comprar produtos fáceis de usar, bonitos e confiáveis. De acordo com Zittrain, isso mata a “generatividade” da internet, uma vez que os usuários ficam presos a uma plataforma, empresa, com seu código fechado e que não permite modificações. Basicamente dispositivos controlados.
Por experiência própria como usuário de um iPhone, posso dizer que isso chega a ser irritante. Se não tomar certos cuidados quando for fazer um sincronismo do iPhone com o PC, você pode perder muitas modificações que levou horas pra fazer no celular. Mas vejam que isso é um preço a pagar. A segurança, beleza, praticidade e facilidade que esse tipo de produto traz acaba sobrepujando os problemas do controle. Na verdade, arrisco dizer que é justamente o controle que faz com que os itens anteriores sejam possíveis de serem alcançados. É muito mais fácil manter a segurança de um sistema que só você conhece, do que de um sistema que todo o mundo conhece.
Sendo assim, concordo com Zittrain. iPhones, XBOXes, Wii’s e quaisquer sistemas fechados estão acabando com a internet generativa, mas isso ocorre pela necessidade atual de segurança. A tecnologia e a ciência não param, e as mudanças são inevitáveis. Adaptação é necessária. Hoje a busca pela segurança está intrínseca em quase todos os tipos e segmentos do mercado. Qualquer tipo de Rede prima pela segurança. A moda da vez é a segurança em redes wireless(se alguém se interessa, entrem aqui na análise do Marcellus Pereira sobre o livro “Redes – Guia Prático” do Morimoto), mas não é a única.
Isso é bom? Não sei dizer. Como no caso do iPhone e suas toneladas de aplicações que saíram antes mesmo da Apple liberar o SDK, sempre haverá grupos e usuários que tentarão acabar com o controle do fabricante, então talvez o fim da internet e PCs generativos não seja tão ruim assim, mas isso depende de cada um. Sou defensor do Software Livre, mas como cientista da computação tudo que é bem construído me fascina. Plataformas seguras são um exemplo. Mas como defensor do SL, qualquer tipo de regulação do software/plataforma não me é vista com bons olhos.





Concordo que isso é uma visão de negócio, e que funciona. Mas a questão não é acabar com a Internet, mas sim, acabar com ela como a conhecemos. Sim, sempre há mods e furos, mas o que o professor harvardiano quer dizer é que, esse espírito livre da Internet vai acabar. Vamos acabar dependendo sempre das produtoras, até no fato que você mencionou: todos os eletro-eletrônicos vão se comunicar entre si, mas da maneira definida por quem os construiu não? Mais ou menos como celulares já são hoje.
Mas querer aceitar o conceito do SL na internet é uma idologia não? Quem sabe até utopia? Veja por exemplo o que a Microsoft e outras grandes fazem com softwares livres e/ou free. Veja o ICQ vs. MSN por exemplo. MSN é grátis também, mas está vinculado a grande de Redmond. Isso não torna a Internet mais livre, muito pelo contrário, e acho que esse tipo de coisa também sempre existirá.
Talvez, mas o que vejo é que essa “privação” que ocorre é justamente uma necessidade da Internet. Precisamos de segurança ao navegar nela, e se essa “privação” se converte em segurança, então acredito que essa possa realmente ser a tendência da Internet, até que algo mais importante que a segurança apareça!
A minha visão é a seguinte:
Esse assunto acaba caindo na mesma discução filosófica de mundo proprietário e livre.
As empresas, em geral, vinculam seus produtos como propriedade da mesma, e de seus clientes, e fazem isso independente de ser um serviço network ou não.
No caso de sistemas que limitam o “funcionamento da WEB”, vejo isso não como bloqueio e sim como visão de negócio e objetivo de produto. Embora se limite o funcionamento de um XBOX da vida, por outro lado se vincula um produto ao seu serviço, ou a serviços semelhantes.
E mesmo assim não acho que isso vá acabar com a internet, por dois motivos:
1º. Qualquer um que se disponha a ir atras de soluções para furar esse bloqueio, fatalmente conseguira, embora seja com dificuldades diferntes.
2º. A Maturidade do fornecimento de serviços na internet, até hoje em dia, é visto que o tramite de dados entre o meio internet, seja algo nebuloso e desconhecido. Com o tempo esse conceito tende a inexistir.
Por isso, se tivesse que chutar, diria que no futuro, todo e qualquer tipo de eletro-eletrônico poderá se comunicar entre si e exercer funções customizáveis livres que todos tenham acesso, o que eu vejo é apenas uma questão de tempo para amadurecer a idéia de serviços distribuidos.
Sim e não, a internet acredito igualmente que mudara a cara dela mesma no futuro. Porem muito pelo contrário que seu critério livre deixe de existir, a começar por espaços como esse, enquanto informações de qquer tipo puderem transitar entre as linhas virtuais acho que a internet continuará livre.
Acredito que o futuro seja algo parecido com gadgets google, as empresas disponibilizaram seus produtos e as interfaces fiquem por conta de qualquer um que queira disponibilizar, ou então uma interface padrão poderá também ser distribuida.
O que eu quero dizer sobre amadurecimento, é a questão negocial que a internet proporciona. Acho que a mentalidade livre ainda não é uma realidade global, e no momento que o SL passar a ser aceito de forma mais abrangente esse conceito também passará a ser empregado na internet.
Boto uma fé, que quando descubrirem que os serviços que podem ser disponibilizados, acabam sendo financeiramente mais interessantes que os próprios produtos, esse esquema de tentar privar os meios da liberdade que a internet proporciona deixará de existir.