Panelinhas

Desde que a sociedade é sociedade(não necessariamente do jeito que é hoje), as pessoas com pensamentos/objetivos/vontades parecidas se juntam, se agrupam, se reúnem. Na essência isso é bom, mas sempre há problemas, principalmente pelos que são rejeitados.

Vivemos essa rejeição desde pequenos. Quem nunca se sentiu excluído na escolinha? Ou quando aquele(a) colega fez festa de aniversário e não te convidou, você não se sentiu fora de órbita?

Lembro muito bem de certa vez quando ainda era bem pequeno e tinha, sei lá, entre 5 e 8 anos, que uma colega fez aniversário na escola e não me convidou, nem lembro o porquê. Só lembro que ela não me convidou. E era na escola! Fiquei mal, mas é claro, tentava não mostrar. No final, acabei participando da festinha pois nenhuma professora iria me deixar de fora.

Mais tarde, conforme fui envelhecendo, deixava de ser convidado pra outras festas. Até o final da sétima série eu era um baita CDF. Só notas boas, não conversava na sala, nada. Mas comecei a perceber que os outros faziam festas, saíam, e eu nunca era chamado. E pior, todos já estavam “ficando”, e eu, ficando pra trás. Nessa época, isso era importante.

Então na oitava decidi que seria diferente. Não ia ficar estudando. Iria fazer bagunça, zonear, farrear na sala. E as notas levaria da maneira que fosse. As coisas melhoraram no sentido de festas e meninas(naquela época éramos somente meninas e meninos), mas ainda ficou aquele estigma de CDF. Eu continuava tirando notas boas, mesmo sem estudar, o que não ajudava a ser muito popular, e nessa época, ser popular ainda era importante.

No segundo grau, as coisas mudaram bastante. Aprendi a chamar atenção das meninas que me interessavam, e aprendi que um cara nunca precisa ser bonito, o cara tem que ser bom de lábia. Essa época foi bastante (re)produtiva. O segundo grau, no geral, foi muito sossegado. Mas não interessava o que fizesse, sempre, sempre existiam as “panelinhas”. Sempre existia aquele grupo ao qual você nunca pertenceria, por mais que se esforçasse. Então(ainda bem) você acabava conhecendo os seus melhores amigos, e o que realmente importava. Nessa época, ser popular já deixava de ter sua importância, pelo menos pra mim.

Não interessava se você era o último a ser escolhido pra jogar bola, ou se nunca era chamado pra festa de fulana de tal. Nessa época as coisas começam a ficar mais claras na cabeça, e você percebe que um amigo vale muito mais do que ser popular. Você aprende que sair e farrear com um amigo, fazer besteira, falar besteira, encher a cara, é muito melhor do que ser popular. Aliás, houve um tempo em que quanto mais impopular você fosse, melhor.

Aí você amadurece um pouco, cresce um pouco mais. E percebe que ficar saindo só pra pegar mulher também enjoa. Você quer uma mulher decente, pra passar algum tempo e conversar(além de outras coisas, obviamente), e não só mais uma babaca qualquer que encontra na balada. Então você muda novamente suas prioridades. Quer conhecer mulheres com conteúdo, e não somente embalagem.


- Eu sou um gato!
- E eu também…

Mas as panelinhas sempre continuam lá. Podem ser aqueles riquinhos, que têm muito mais grana que você e te esnobam; podem ser os totalmente nerds que te detonam porquê você não sabe qual é a última fala do quarto filme do Star Wars; podem ser os blogueiros super-ultra-fodásticos que tão se lixando pra quem tem pagerank menor que o seu; ou simplesmente aqueles que não gostam de você. Sempre há os grupinhos. Só que você não te importa mais.

Claro que temos nossos grupos, seja dentro da família, seja de amigos, do que for. Isso é bom, pois mantemos quem é interessante perto. Mas no meu caso, eu não me importo de conhecer uma pessoa, de deixá-la tentar se integrar ao “meu” grupo. Isso é importante. Não fazer um apartheid de qualquer tipo, simplesmente porque você acha que uma pessoa não é boa o suficiente pra você, é importante. Só que, obviamente, se a pessoa se mostrar um babaca, chuta, pra longe. Deixa que vá pra sua panelinha. Melhor mesmo que vá incomodar outro. Mas confesso, isso é difícil. Muitas vezes não queremos perder tempo com quem parece ser ruim, e acabamos perdendo tempo com quem parecia bom. Não há como fugir dessas coisas.

Aliás, o que você faz aqui? Vai embora pra outro blog. Vai azucrinar outro. Só volte aqui, se tiver algo decente pra falar. Senão, como diria o Fabião, faça um favor à humanidade e pereça. Ou vai ler “O Patinho Feio”.

Grato, Bruno Pedrassani.

About Bruno Pedrassani

Nasci em 1985 na cidade de Curitiba - PR. Já antes de completar 2 anos, me mudei/mudaram pra Canoinhas - SC, onde vivi até os 17. Depois disso, voltei a Curitiba pra cursar Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná. Atualmente terminando o trabalho de graduação e trabalhando na CELEPAR - Companhia de Informática do Paraná. Nas horas vagas, pseudo-blogueiro, jogador, e amante(aquele que ama).
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8 Responses to Panelinhas

  1. Maria Augusta says:
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    Você parece estar meio revoltado.
    Panelinhas sempre existirão,faz parte do ser humano. Não tem como fugir disso, afinal, todas as pessoas têm preferências. O que não precisa ocorrer é a exclusão, discriminação, mas isso já é outra história.

    Você tem perdido muito tempo com quem parecia bom ou deixado de perder com quem parecia ruim??

    Obs.: Muito boa a parte da sua fase reprodutiva.

  2. MasterBum says:
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    Falando nisso planos para a Panelinha das três famigeradas iniciais em um futuro talvez breve hehe. Veremos…

    Abraço man, saudades
    ;)

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    gostei muito do texto, vou para outros blogs, mas ainda voltarei muito aqui… :)

  4. Srta. Rosa says:
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    É, tem a ver mesmo. Engraçado isso… como o ser humano é estranho às vezes. De qualquer forma, saiba que é super bem vindo lá, a qualquer tempo e hora. :)
    Bezzos, querido.

    PS: O consolo é que com o tempo a gente não liga muito mais para certas coisas. É isso aí…

  5. Carol says:
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    Nossa, da 6ª até o primeiro colegial eu era do grupinho mais popular… Eu tinha até fã clube (coisa que eu fui descobrir anos mais tarde, pelo ex da minha prima que fazia parte do clube)!! Mas sempre tirei notas boas, eu prestava atenção na aula e jogava truco no intervalo!!!

    Depois mudei de escola, e tudo mudou, e eu já nem me importava muito em ser popular ou não… Engraçadas mesmo essas fases da adolescência…

    E por que você está me expulsando daqui???

  6. Lucas says:
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    Que post mais emo…..tá deprimido bichinha???

    Sobre as panelinhas, acho que cabe a própria pessoa participar ou não, se vc parasse para pensar o Galo Véio seria uma espécie de panelinha….a questão primordial ao meu ver é: a própria pessoa querer fazer parte do mundo ou não, as panelinhas acabam servindo como refúgio a quem precisa de constante aprovação…se vc confia “no seu taco” ou mesmo faça parte “do mundo”. Fazer parte de diversas panelinhas diferentes e ser pop acaba sendo uma coisa até natural, o mais interessante é pensar que quanto maior o número de panelinhas se participa, menos se participa delas efetivamente…hahahahaha

  7. Felipe says:
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    Engraçado, até essa postagem é recente, procurei o termo no Google e achei seu blog. Você tem sorte, estou na faculdade e “pulei” todas essas fases de (re)produção e etc. E nunca consegui me entrumar na minha vida. Até hoje Seja no 1º, 2º grau e agora, faculdade.

    • Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Linux Linux

      Felipe, não acho que seja questão de sorte, mas sim de prioridade. Houve um tempo em que estudar pra mim era irrelevante, o que interessava era conseguir mulher. Prioridades.

      Abraço

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