Onde está o laicismo?
Época de eleições. Televisão, rádio, internet e todos os meios de comunicação abarrotados de campanhas eleitorais, fervilhando de gente querendo um pedaço do bolo estatal.
Até aqui tudo bem. Somos um país – ou Estado – democrático, temos que eleger nossos representantes. Por um acaso, o Estado é laico também.
Pra quem não sabe, o laicismo defente a separação do Estado de qualquer igreja/religião/comunidade religiosa, bem como a neutralidade com relação aos mesmos. Ou seja, não importa quem está no governo, o Estado não pode tratá-lo diferentemente se você for cristão, evangélico, muçulmano, budista ou ateu. Isso seria um Estado laico.
Só que o que percebemos atualmente é uma avalanche de partidos que não são laicos na sua concepção. Partido Cristão, Partido Social Cristão, Partido Progressista Cristão, Partido Nacional Evangélico, entre outros.
E por quê não são laicos?
Bem, se um partido evangélico, cristão, budista ou outro qualquer estiver no governo, significa – no mínimo – que o mesmo seguirá a doutrina religiosa que tem no nome. É o mínimo que o eleitor espera. E se este partido está seguindo uma doutrina religiosa, ele não está mais neutro quanto à religião, e não está separado da religião. Será um Estado religioso, matando o laicismo.
O problema aqui não é a religião em si. Cada um tem a sua. O problema é usar a religião pra ganhar votos. Eu não duvido nada que muita gente vota nesses partidos simplesmente porque são da sua religião. E duvido menos ainda que na hora de pregar na sua igreja/templo ou o que for, não role umas propagandas eleitorais, uns santinhos, ou ainda, uma indicação: “O pastor Enéas de Deus é candidato a vereador, e se for eleito, TODOS os nossos templos serão revitalizados. ALELUIA! Amém”.
Não questiono aqui a capacidade de um pastor administrar. Questiono unicamente o laicismo do estado no caso de um partido com nome de religião. Particularmente, eu não voto em um pastor de religião qualquer. Não por não ser da minha religião – o ateísmo -, mas simplesmente porque um pastor pra mim indica que ele está lá porque é pastor, e vai priorizar sua religião, e não a minha. Prefiro um que trate as duas igualmente.
Portanto, senhores e senhoras (e)leitores(as), cuidem com as armadilhas eleitorais. Claro que partidos religiosos são um pedaço pequeno do todo, mas cuidem. Particularmente, não acredito na democracia, mas usufruo da mesma. E não, não sou comunista.
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quinta-feira, setembro 4th 2008 at 21:00
Concordo. E preocupo-me não apenas com estas siglas religiosas, mas também com candidatos que representam interesses de seitas, a exemplo de um que concorre à prefeitura do Rio…
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setembro 4th, 2008 at 21:01
Desculpe a ignorância, mas o que ocorre na prefeitura do Rio? Sou curitibano, então…
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sexta-feira, setembro 5th 2008 at 08:57
Sou católico praticante, mas concordo com tudo que foi dito. A própria Igreja Católica mostrou, na época da idade média, que união Estado + Igreja não dá certo, e temos outros casos mundo afora… Talibã no Afeganistão, Governo Iraniano, enfim, para provar que não se deve nem se pode misturar as coisas.
No caso da China, o repúdio e a proibição da entrada de Religiões, ou melhor, da liberdade religiosa, também é uma coisa repudiável.
Uma coisa é lutar pelo que se acredita, outra é impor sua forma de pensar através do poder.
Como já diria Humberto Gessinger : “Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada…”
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sexta-feira, setembro 5th 2008 at 16:24
A ausência do laicismo não está só na política. Trabalho em uma universidade federal; há um discurso consensual de que a universidade é laica.
Mas, na prática, isso não acontece. Em alguns eventos oficiais, lá está um padre católico para rezar uma missa, o que gera a reclamação de praticantes de outras religiões e sugestões de que sejam programadas eventos ecumênicos. E o laicismo vai pro brejo…
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sexta-feira, setembro 5th 2008 at 17:34
A questão aí cara é as pessoas de outras religiões correrem atrás de um pastor, um monge, para celebrar um culto. Não vejo nada demais um padre celebrar uma missa numa instituição laica, o problema existiria SE barrassem alguma outra religião de se expressar, aí sim seria a ausência do laicismo. Não vejo padres sendo professores na univerdade federal, ou freiras como reitoras da unidade, isso sim seria ausência de laicismo, onde a religião entra no comando da hierarquia.
Só não confunda as coisas…
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sexta-feira, setembro 5th 2008 at 19:09
A vantagem de ter políticos religiosos é que eles, justamente por serem religiosos e políticos concomitantemente – arderão ad eternum no fogo del infierno. Huahauahau.
Bezzos querido, bom final de semana pra ti.
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setembro 5th, 2008 at 19:11
AHAUAHUAHUHAUHAUHAUHAU, meu senhor, aehuaehueahuaehuaeh
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sábado, setembro 6th 2008 at 02:55
No Rio tem um candidato que é pastor da “Igreja Universal”.
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segunda-feira, setembro 8th 2008 at 21:46
falei ctgo sobre o laicismo do Estado na sexta.
mas onde estão os reviews do fds? hahahahaha
abraço
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setembro 8th, 2008 at 21:49
AHHAHAHAH, cara, vou fazer um review da quantidade de álcool ingerida / quantidade de horas passando mal. Meu caneco, essa formatura foi de matar.
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Twitter: @guedesav
terça-feira, setembro 9th 2008 at 10:02
Laicismo é uma ilusão, aqui e aparentemente em qualquer parte do mundo. O fato de existir aulas de religião em escolas é evidência mais que óbvia. Só não sei se isso acontece em escolas públicas, felizmente a na qual estudei não tinha.
Mas a pergunta não se cala: como é que um sujeito que acredita no fogo do Inferno e na danação eterna consegue se candidatar a um cargo político, assim, de cara limpa?
Se hipocrisia matasse, rapaz…
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setembro 9th, 2008 at 17:41
O Fato de existir aulas de religião na escola, se dá ao fato de se tratar de uma escola “religiosa”. Estudei tanto em colégios laicos como em colégios não-laicos. Se você não quer que seu filho(a) tenha aula de religião, coloque-o em um colégio público ou laico, simples. Ninguém é obrigado a nada. E outra, nos 4 anos que estudei em colégio não-laico, tive aulas de religião sobre o cristianismo, budismo, hinduismo, espiritismo, protestantismo e neo-pentecostalismo. Digo que foram aulas interessantes pelo fato de poder conhecer diversas realidades religiosas.
Com relação a hipocrisia dos candidatos concordo em número, grau e gênero. Infelizmente existe hipocrisia em todos os setores da humanidade, e a religião e a política não fogem à regra.
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setembro 9th, 2008 at 17:48
Concordo em partes com o Sekiji. Veja a PUC por exemplo. É uma Universidade Católica no nome, e até pouco tempo havia aula de religião. Quem vai pra lá sabe disso, se não gosta, não vai. Só vejo como problema quando não é avisado, quando não é grade, mas você é obrigado a rezar. Passei por isso. Rezávamos na “escolinha” mas ela não era católica em si. Até chegaram a tirar as aulas existentes de religião, talvez por reclamação, não sei.
Mas não há o que fazer. E acho extremamente válido quando ensinam “sobre” a religião, não pregando-a pra você. Aliás, acho importantíssimo isso.
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