Como disse ao final desse post, essa crítica(ao motorista) já deveria ter saído, mas acabou surgindo uma crônica(crônica) antes.
O problema todo é que já estou sem paciência pro trânsito. Não só o inferno transital da cidade grande, mas também a entrada para a casa do capeta o além que é dirigir nas auto-estradas da vida, as nossas BRs.
Primeiro vou confessar: odeio motoqueiros. Não que o trabalho deles seja ruim, pois não é. Acho que é um trabalho que deve ser feito, o trabalho dos motoboys da vida. Só que a apurrinhação, o problema e mais problemas são os motoboys que acham que podem passar por onde quiserem, a hora que quiserem, não importando se é pela direita ou pela esquerda; e só não passam por cima porque ainda não voam(não normalmente pelo menos). Quantas vezes fui entrar na garagem do prédio, com a seta ligada, e quase não matei um engraçadinho passando os carros pela direita junto ao meio-fio? Muitas. Esses motoboys deveriam dirigir como um carro normal, ocupando o seu espaço, passando quando pode e quando dá, simples assim. Mas hoje não é somente sobre motoboys.
Devo dizer que há algum tempo eu apreciava viajar. Pegar o carro, uns CDs que gosto e ir dirigindo, ouvindo só música boa e meus pensamentos. Mas isso foi conjugado no passado. Atualmente sinto no mínimo apreensão ao pegar a estrada.
Dirigir na estrada cria uma espécie de relacionamento com alguns outros motoristas. Primeiro os que dirigem mais ou menos na sua velocidade: um faz companhia ao outro, vendo-o hora no retrovisor, hora no horizonte. Não há perigo, pois aqui nenhum está fazendo nada demais.
Há os que tem um super-hiper-carro-mega-com-som-do-tamanho-do-porta-malas: são os playboys, ou os que simplesmente não querem saber de nada, enfiam o pé no acelerador. Quanto a esses, é fácil também: solta um “tomara que se mate lá na frente”, diminui a velocidade e deixa o cara passar. Provavelmente você não o verá mais, seja isso bom ou ruim.
Existem os que vivem fazendo besteiras: passam onde não dá, obrigando o motorista do sentido contrário a sair pro acostamento, cortam sua frente, não usam setas. Esses tipos são perigosos e normalmente barbeiros.
Agora, a situação que passei na última viagem foi ineditamente quase mortal: um maluco fdp dirigindo um caminhão muito rápido estava passando outros carros. Bom, pode até ser normal quando esses outros carros estão muito lentos, o que não era o caso. O maluco enfiava a porcaria naquele lugar o caminhão em qualquer espaço, chegando ao cúmulo de tentar colocar a porcaria no espaço de um fusquinha. E eu vendo tudo isso, pois estava atrás do caminhão, e ele não deixava ninguém passar. Quando abria pista dupla, ele a utilizava, ao invés de ir para a pista extra e deixar carros mais rápidos passarem.
Esse tipo de motorista é que acaba com minha vontade de dirigir. É um perigo que não precisamos viver, e aí o prazer de dirigir acaba sumindo, dando lugar à aflição. Nesse caso eu queria passar o lazarento inconseqüente o mais rápido possível, pois estava me sentindo ameaçado. Qualquer acidente que ele causasse sobraria pra mim, certamente. Só que pra passar o maledeto eu teria que ir muito mais rápido que ele, arranjar uma brecha qualquer pra passá-lo, e esperar que ele não enfiasse o caminhão no meu carro.

Eu só não queria ser o carro de baixo
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Já disse que não sou o maior fã de carros e velocidade, mas não gosto de andar devagar também.
Só que tenho meus limites, e nesse dia, o caminhoneiro ultrapassou os meus limites. Acho que o único limite dele era acabar no meio… de outro veículo. Ou embaixo, depende do ponto de vista.
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Tenso. O trânsito é algo que é praticamente caótico por natureza. Adiciona-se a ele a quantidade limite de pessoas que podem ficar juntas sem causar um caos intenso. O resultado é óbvio…
E, sinceramente, eu amaldiçôo JK e sua idéia a respeito de “governar é construir estradas”. Nem tanto o JK, mas transporte rodoviário não é bom, e o Brasil perdeu mais uma vez a oportunidade de ter um transporte ferroviário decente, que é garantidamente melhor em termos de custo-benefício(fora menos estradas esburacadas devido à passagem de trocentos caminhões seguidos).
Enfim, trânsito é sem comentários…
É, as ferrovias são a grande perda do transporte brasileiro.
Agora, pra mim o pior ainda é não poder dirigir. Pense, eu gosto(ava?) de dirigir, mas agora me sinto inseguro com toda essa porcaria. É muito carro, muita gente. Aliás, o problema é muita gente mesmo, em qualquer lugar.
Os problemas no trânsito, além da quantidade, é a falta de respeito e de bom senso. Seja com o outro motorista, pedestre, motoqueiro, etc.
Talvez, mesmo com a quantidade absurda de carros na rua, se os motoristas usassem um pouquinho da massa encefálica, não seria tão estressante quanto é. Ninguém mais pede para entrar na sua frente, simplesmente jogam o carro em cima e você que se dane. E para isso, não há campanha de conscientização nem multa que resolvam.