Contrato Amoroso
Relacionamentos são contratos.
Muitas vezes não estão explícitas todas as cláusulas, textos, exigências; mas tudo isso existe.
Há os relacionamentos em que algumas cláusulas podem ser ignoradas – por ambas as partes(afinal, um contrato exige 2 partes, no mínimo) – e há os que têm cláusulas a mais.
Não há como discorrer qual é o melhor ou pior. É um jargão, mas cada um é único. Cada um deve ver se o que lhe é apresentado – mesmo que durante o período de vigência – é válido para si, e analisar até que ponto vale a pena, como qualquer contrato.
Uma cláusula freqüente em relacionamentos é a fidelidade. Certa vez li em algum lugar(que agora está obscurecido em minha mente), que a fidelidade é um – e o maior – presente que quem ama dá ao ser amado. E de fato, concordo com isso, e nesse ponto(como em muitos outros) ainda sou extremamente antiquado. Homens e mulheres não foram “feitos” pra uma pessoa somente. É genética a vontade de reprodução, de variedade. Mas se no seu relacionamento você decide que esse presente é necessário, então o dê, sem medo de perdê-lo. Esse ponto pode ser uma cláusula no seu contrato amoroso, mas pode ser simplesmente um ato de entrega.
Assim, concluímos pode-se concluir que relacionamentos não são somente contratos. Eles são também generosidade e entrega, como bem falou Gustavo Gitti no seu Breve Ensaio Sobre a Estética nos Relacionamentos. Relacionamento é usufruir do outro, e mais, deixar que o outro se deixe usufruir, assim usufruindo de você também.
O que você entrega no relacionamento pode ser simplesmente um presente, o que na verdade é o que de fato terá mais significado.
O que você define como cláusula no seu contrato, deve ser seguido. O não cumprimento de qualquer uma das cláusulas pode resultar em rompimento contratual sem aviso prévio de qualquer uma das partes.
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quarta-feira, outubro 29th 2008 at 16:36
concordo total! Também acabei de escrever sobre a fragilidade nas relações, mas num tom diferente. Adorei o post!
Direito de Resposta
sexta-feira, outubro 31st 2008 at 13:47
Seu texto é muito bom, mas…
Discordo de que os relacionamentos tenham cláusulas e que eles sejam um contrato. Porque contratos são sempre muito formais e tem vigência pré estabelecida.
Acredito que relacionamentos entre pessoas precisam ser descontraídos e porque as pessoas se dispuseram a eles e não algo burocratizado.
Também discordo sobre suas palavras sobre fidelidade: “Homens e mulheres não foram “feitos” pra uma pessoa somente. É genética a vontade de reprodução, de variedade. Mas se no seu relacionamento você decide que esse presente é necessário, então o dê, sem medo de perdê-lo.”.
Fidelidade a que ou a quem?
Dispõe-se de um relacionamento com amigos e este é descontraído do tipo “vamos ao cinema” ou “vamos tomar um chopp” e neste interim coisas acontecem, nada pré estabelecido, mas costumam ser agradáveis.
Dispõe-se de um relacionamento afetivo com uma (ou mais) pessoa(s).
Por que neste as coisas precisam acontecer de forma pré estabelecida?!
Tipo: De segunda a sexta trabalho e no fim de semana obrigatoriamente tem se estar com a pessoa?
A vida pessoal/social acabou?
Acredito que relacionamentos são acordos em que as partes estão disponíveis de forma despojada, cheia de admiração e devoção, não daquela beata mas por quando se estiver com a pessoa esteja por inteiro.
No dia que a disponibilidade acabar, de uma das partes comunica-se e a vida continua.
Trair para mim não é apenas estar com terceiros, mas estar junto por comodidade.
Direito de Resposta
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Twitter: @bpedrassani
outubro 31st, 2008 at 14:56
Concordo plenamente que relacionamentos tem que ser descontraídos, e não burocratizados. Mas pense um pouco: quando você está com alguém, ou mesmo procurando uma pessoa com quem ficar, você determina alguns pontos que são necessários. Não que você os enumere e coloque-os em um papel, mas eles estão lá, mesmo que inconscientemente.
“Quero um homem assim” – “Quero uma mulher assado”.
Sempre há os pré-requisitos de cada um, e essas são as cláusulas. Na verdade, esse contrato não tem período de vigência, mas se preferir, o período é vitalício. Ele acaba no meio se não interessar a alguma das partes não é? E o não interessar implica que você decidiu que aquilo não serve mais pra você. Como falei no texto, nem sempre as coisas estão explícitas, e muita coisa você descobre durante o relacionamento.
No caso da fidelidade, quem define é você! Se pra você a fidelidade é que nunca discordem do que fala, por mais ridículo que soe, é isso. No exemplo, eu deveria ter explicitado que é sobre a fidelidade em relacionamento amoroso, entre um casal qualquer. Por isso falei da vontade genética de reprodução. Está em mim, em você. Você estar com uma pessoa, sair com os amigos e se sentir bem, e quem sabe, rola algo “a mais” não? Aqui entra a fidelidade. Você define se vale a pena entrar nesse “algo a mais”, nos seus parâmetros de fidelidade ao seu parceiro.
E concordo novamente! Nada precisa acontecer de forma pré-estabelecida, e não foi isso que quis passar no texto
Como disse, é jargão, mas cada um define o que é melhor pra si. Coloquei que relacionamentos são contratos sim, mas são contratos invisíveis, fechados no momento em que decidimos de fato nos relacionar com qualquer pessoa. Esse contrato não é imutável, muito pelo contrário. Ele muda, e muito, mas sempre está lá, com suas cláusulas. Se um dia você achar que alguma delas foi quebrada e não quer mais, cessa-se o contrato.
Pelo que entendi, temos opiniões parecidíssimas, mas o termo contrato pareceu pra você que é tudo pronto, pré-definido, e com data pra acabar. Eu digo que não esse contrato
Abraços, e essa sim, foi uma opinião extremamente construtiva! Obrigado.
Direito de Resposta