Religião. Dignidade. Medo.
“I can picture in my mind a world without war, a world without hate.
And I can picture us attacking that world, because they’d never expect
it.”“Posso ver em minha mente um mundo sem guerra, um mundo sem ódio. E posso nos ver atacando esse mundo, porque eles nunca esperariam isso.”
Jack Handey
De tempos em tempos ficamos sabendo de caras que, ou são gênios(mesmo que sejam “do mal”, se é que isso também existe), ou nunca deveriam ter nascido. Ou todos os anteriores.
O fato é que esta matéria do The American Scholar(vi a dica no Filisteu, do Cisco Costa) me deixou refletindo sobre o assunto por um bom tempo.
Há realmente muita coisa na matéria, que é extensa, mas é uma boa leitura. Vou tentar não rebuscar e alongar demais o assunto.
Criada por Paul Schaefer – um pastor evangélico alemão – e comandada pelo mesmo até que este fugisse, essa comunidade foi o verdadeiro exemplo da força de vontade de um homem, o que não é necessariamente coisa boa.
Schaefer quando criança não era dos mais espertos. Detonou seu olho direito quando usava um garfo pra desamarrar o sapato. Mas não o julgue só por isso. Quando chegou o tempo(da Segunda Guerra), ele tentou se unir à elite nazista, mas negaram o pedido justamente por causa do olho.
Passou a guerra como enfermeiro em um hospital, e isso não o impediu de alardear para o mundo que o ferimento no olho foi de guerra. E é após a guerra que começa sua jornada.
Sua primeira tentativa de comunidade foi a criação de um orfanato. Foi a primeira vez que descobriram que Schaefer gostava de criancinhas, particularmente, de meninos. Bem, o orfanato não deu certo, perseguiram o cara, ele fugiu e conseguiu arrego no Chile. Ganhou umas terrinhas, e os alemãos alemanos alemões alemães que o seguiram, bem, foram com ele. Fundou-se então a Colonia Dignidad.
Nos anos que passaram, Schaefer era “O Tio Permanente”. Ele detinha todo o poder, e tudo que fazia era em nome do seu Deus-Todo-Poderoso. Homens não viviam com mulheres, e não era permitido se casar(salvo exceções). Se fosse haver casamento, quem escolhia o casal era o próprio Schaefer. Ele não permitia conversas paralelas, somente conversa a três. Viviam quase que somente alemães, mas alguns chinelos chilenos também eram aceitos. Só se falava alemão. Os colonos tinham que confessar “pecados” que cometiam até em pensamento, e era encorajado que se confessassem uns aos outros também. Havia pedofilismo, estupro, submissão.
Mais tarde Schaefer passou a receber “convidados especiais”, enviados por Pinochet. Assassinato, tortura eram comuns.
O interessante é que tudo isso acontecia, mas os colonos não sabiam, pelo menos a maioria.
Há muito mais no texto, mas já serviu pra ilustrar a questão. Na verdade, a pergunta que fica é como esses colonos se submeteram à dominação do homem que a própria The American Scholar diz ser o mais mau de todos os tempos. E a única resposta plausível é: religião. Religião, e porrada. Medo. É assim que as coisas funcionam. É assim que temos guerras, e é assim que temos paz também.
O que me impressiona é a capacidade que algumas pessoas têm de fazer esse tipo de mal. Não dá pra negar que o cara foi muito esperto e conseguiu algo muito difícil: controlar toda uma comunidade, e ser reverenciado como um semi-deus. Esse objetivo ele atingiu. OK, na verdade isso não me impressiona mais. Está na hora de aprender que essa é a nossa natureza, a diferença é o cão que cada um alimenta.
Com tudo isso, fico me perguntando se a pessoa que matou uma criança de nove anos e a deixou em uma mala na rodoviária de Curitiba é tão diferente de um Paul Schaefer da vida.
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segunda-feira, novembro 10th 2008 at 18:37
É, meu bem… dá uma desanimada ver essas coisas, não dá?
Solidária na revolta.
Bezzos,
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novembro 11th, 2008 at 07:31
Dá uma desanimada? Se dá! É muito revoltante tudo isso… A humanidade não tem salvação. Haja Cristo pra nos salvar. Haja.
Direito de Resposta
quarta-feira, novembro 12th 2008 at 10:06
Me lembrei de Maquiavel que dizia que é melhor um governante ser temido do que amado(acho que é isso).
O medo de um inferno que ninguém nunca viu e um imaginário que a religião criou nas pessoas que mesmo com erros ela é uma entidade de Deus aqui na terra tem trazido esse tipo de consequência e sabe do que mais?
As coisas vão ficar pior!
Direito de Resposta
Resposta de Bruno Pedrassani Usando
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novembro 12th, 2008 at 10:18
Vão mesmo. O problema não é a religião em si. Sempre tivemos religiões ao longo da humanidade. É quase que uma necessidade humana. A coisa fica ruim mesmo quando pessoas percebem que podem controlar e conseguir o que quiserem se escondendo atrás da religião. Ou seria isso a própria religião? Nem sei mais. O fato é que concordo, as coisas tendem a piorar.
Direito de Resposta