Não tem jeito, brasileiro é esperto mesmo
Gosto de compartilhar por aqui promoções no mínimio inusitadas que encontro por esta vida de consumidor capitalista. Há exemplos aqui e aqui. Essas são algumas situações que até parecem inocentes e engraçadas, não há “maldade”, pelo menos não explícita. Nesses casos, o anunciante ou errou o valor do desconto, ou dá descontos absurdos. Pode até ser jogada de marketing, mas convenhamos, o cliente só “cai” na jogada se quiser.
Agora, há outro tipo de caso, como este(via Gizmodo). Sabe aquele mega super-hiper-mercado-loja-feirão-que-vende-tudo chamado Makro?(se não sabe, clica no link e conhece)
Pois bem, algum estagiário errou na digitação da promoção do dia das mães e acabou soltando isso aqui:

Imagem também do Gizmodo
O Makro, que não é bobo nem nada, soltou uma errata “nos mesmos meios em que o anúncio foi veiculado”(pelo menos é o que dizem, e deve ser verdade), ou seja, estava cobertos pelo Código do Consumidor. Obviamente, nenhuma loja quis vender o notebook por essa pechincha, pois o preço real era de R$1.899,00. Estagiário só esqueceu um “1″, mas deve estar na rua já.
Mas as pessoas que viram a promoção e quiseram comprar o notebook, sentiram-se enganadas ao saber que foi publicada uma errata porque a promoção estava errada. Obviamente elas nem olharam que o parcelamento em 12x de RS206,26 dava um total de R$2.475,12. Oras, esses “juros” de R$1.576,19(que seria quase o valor de 2 notebooks com o preço da “promoção” errada) são irrelevantes. Esses “lesados”
decidiram abrir BO, ir no PROCON e comprar o notebook pelo valor errado na marra.
Agora pergunto: qual a diferença disso pra um roubo? Pra mim, a única diferença é que nesse caso aqui é um roubo “legalizado”. Outro dia vi alguém constatando que a mulher que rouba o leite pra dar pros rebentos vai presa, mas que as pessoas que fizeram a mulher chegar nessa situação, agindo na legalidade, estão imunes. Bem, isso é um discussão muito maior que a proposta aqui.
O negócio é que brasileiro quer ser espertão, tirar proveito de tudo, dar um jeitinho e aí o Brasil fica do jeito que está: com cara de brasileiro. Não podia ser diferente.






Twitter: @guedesav
quinta-feira, abril 23rd 2009 at 12:14
Brasileiro não tem jeito, isso já aconteceu outra vez, e o povo fez a mesma coisa. Quer um povo sem nenhum conceito de consciência e ignorante total do conceito de má-fé(a não ser quando a vítima é ele), é brasileiro. Dá medo.
E, claro, minha citação favorita: “Brasil, uma piada disfarçada de país”.
PS.: eu sei, estou me incluindo nessa. Não me orgulho nem um pouco…
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abril 23rd, 2009 at 17:28
Bem observado. Brasileiro só conhece o conceito de má-fé como vítima. De vez em quando tenho pena de nós mesmos…
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quinta-feira, abril 23rd 2009 at 14:08
Ok. Mas se por um acaso muito raro alguém conseguir comprar o tal notebook pelas vias legais prescritas no Código de Defesa do Consumidor e Código Civil, não se trataria de roubo, mas de mera aplicação do direito, ainda que pareça um roubo. Seria a simples efetivação de um direito subjetivo. Ademais, esse sujeito não necessariamente estaria agindo de má-fé subjetiva só por exigir algo que lhe pareça de seu direito. Brasil é foda, mas também não dá pra sair queimando todo mundo assim…
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abril 23rd, 2009 at 17:31
Cara, pra mim, não interessa se o cidadão foi pelas vias legais. Se ele ignorou o valor do parcelamento que estava no panfleto, chegou lá pra comprar, explicaram que foi puclicada uma errata porque o valor estava errado, e ele ainda assim se sentiu “lesado”, sinto muito. Pode ser legal legalmente falando, mas o cara é um babaca. E ladrão. Erros acontecem, agora vivente se aproveitar desse tipo de erro na marra é o que faz a diferença. Pra pior.
E bem vindo
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quinta-feira, abril 23rd 2009 at 15:13
Ha. Juro que estava achando que era a única que não achava correto se aproveitar desses erros…
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abril 23rd, 2009 at 17:32
Sabe que esse também é um comportamento interessante? Quem não se aproveita desse tipo de coisa se sente deslocado… ê vida
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quinta-feira, abril 30th 2009 at 15:57
MAS há uma “coisa”, ou um conceito para os mais precisos, chamada hipossuficiência. E se estamos atrás de uma igualdade material, não vejo a absurdidade desta conduta, ainda mais num país com tanta desigualdade. Eles podem se valer das brechas, mas nós não. E não vale dizer que ninguém deveria se valer das brechas, não somos tão ingênuos assim…
Direito de Resposta
segunda-feira, maio 4th 2009 at 10:54
Olha, se o valor do parcelamento era BEEEM maior e bate com o juro praticado para o valor de “a vista”, considero errado querer se aproveitar da ‘brecha’, pois dá pra ver que não foi intencional da loja… o que não dá pra admitir é quando colocam uma promoção e, ao se chegar na loja, o produto não existir… tipo isca, pra oferecer outro ’similar’ (e mais caro). Por aqui (Bento Gonçalves – RS) ocorre com os mercados, de colocar no folheto um produto conhecido por um valor baixo , como por exemplo R$ 1,30 num produto que custa médios 2 reais na concorrencia e, ao chegar na loja, não ter nenhum, nem o buraco de onde deveria estar, e ter outros similares por 2,20…… não é se sentir lesado, é não comprar mesmo, hehehe…….
Só uma vez, cansado dessa prática por parte de um GRANDE mercado, que peguei uma brecha dessas (para vingar algumas viagens perdidas) e, onde se lia “compre pizza tal e ganhe 1 refri de 2lts por mais R$0,01″ comprei 2 pizzas e quis levar 2 refrigerantes… a chefe de caixa alegou que eram DUAS pizzas e queria me cobrar integralmente o valor do segundo refri, mas bati o pé, a cagada foi deles (e num cartaz é piada), ainda sugeri que ela mudasse o cartaz antes que outros clientes percebessem….. levei os dois refris Antártica por R$0,02.
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maio 4th, 2009 at 11:00
Cara, quanto a promoção da pizza, não tinha nem o que discutir! Você compra uma, ganha um refri, compra duas, ganha 2 refris e ponto final. É o mesmo que ir, comprar, fechar a compra, entrar no mercado e comprar novamente.
Quanto a anunciar um valor baixo e não ter, se não me engano há algo na defesa do consumidor que diz que, se há um produto anunciado por preço tal e não tem mais, você pode levar um similar pelo mesmo preço.
Direito de Resposta