Os lugares que perdemos

Bom, essa não é bem a proposta do blog, mas bem, o blog não tem proposta de qualquer maneira, e há pessoa que fala melhor de relacionamentos do que eu, mas não tem problema.

Recentemente terminei um relacionamento que durou quase 4 anos. Pra mim, foi de longe o mais duradouro. Não vou falar sobre todas as ordinariedades de todo relacionamento, que certamente existiram no meu, mas de algumas específicas.

O que realmente me chamou a atenção de uma terça-feira às 6 horas da manhã é o que não verei mais. Deixe-me explicar.

Tudo começa com você conhecendo a rapariga. Vocês trocam telefone/MSN/orkut, se conhecem, saem, ficam, se beijam, namoram. Invariavelmente, chega uma hora em que você terá de visitar a casa dela e, conseqüentemente(trema, ainda lembro de você), visitar os pais dela.

Nas primeiras vezes fica você acanhado, sentado, limitado ao cômodo onde todos se encontram. Se precisa ir ao banheiro, pede licença, pergunta onde é, vai e volta.

Conforme vão se conhecendo, e você vai entrando pra família, aquela casa deixa de ser estranha. Você vai ganhando acesso a cômodos que antes eram desconhecidos. Conhece a casa dela, a casa dos pais, e quaisquer outros lugares que ela tenha acesso.

Aí você passa bons anos em locais que não são de fato seus, mas soam como tal. Sabe como tudo funciona, ajuda em tarefas, sabe onde as coisas ficam e principalmente onde não ficam.

Tudo isso acontece até que… as coisas acabam. E olha que uma hora elas acabam sim, mesmo que pense que é pra sempre(e sempre pensamos, não?).

E é justamente depois do fim que chegamos ao meu ponto: os locais que não são mais seus.

Sinto muito companheiro, essa casa não é mais sua
Foto de Cláudio D. Timm

A casa dela, a casa dos pais; todos os locais que eram de seu acesso não são mais seus. Aqueles cômodos que guardam boas e más partes da sua história, nunca mais serão vistos. Você nunca mais entrará no quarto dela, ou sentará no sofá da sala pra uma conversa ou para ver um filme. Essa parte que por um instante da sua vida o definiu, não existe mais, e não o define mais. Você não é mais o mesmo.

Ao contrário do que talvez possa parecer, isso não é um lamento. Outros locais entrarão e sairão da sua vida, e você será definido por muitas outras coisas que nem tem idéia. Mas o que me chamou a atenção às 6 horas da manhã de uma terça-feira foram os lugares que perdi, e que não verei mais.

About Bruno Pedrassani

Nasci em 1985 na cidade de Curitiba - PR. Já antes de completar 2 anos, me mudei/mudaram pra Canoinhas - SC, onde vivi até os 17. Depois disso, voltei a Curitiba pra cursar Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná. Atualmente terminando o trabalho de graduação e trabalhando na CELEPAR - Companhia de Informática do Paraná. Nas horas vagas, pseudo-blogueiro, jogador, e amante(aquele que ama).
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11 Responses to Os lugares que perdemos

  1. Srta. Rosa says:

    Brunão! Aí, gostei do post. Se tivesse umas piadinhas… assim, pelo menos eu não vou ter mais que aturar o irmão dela que peida sonoramente ou qualquer outra coisa palhaçona eu ia tremer na base. Se bem que é melhor você ir treinando, garoto… do jeito que vão os proto-pretendentes… daqui a pouco não saberei nem o que é relacionamento; que dirá ter conhecimento de causa pra falar deles. Aliás, o que é sexo mesmo? Hahahah!

    BeijO!

    • Ahuahuah, real, poderia ter umas piadinhas, mas era cedo bagarai quanto escrevi, nem tinha mood pra isso.

      E posso ir treinando han? Posso me inspirar em você até pra escrever quem sabe :P

      Besos rapariga!

  2. Pingback:Meu Google Reader | 30 & Alguns

  3. Kat says:

    Nessas eu me lembrei na época que n teria mais o bacalhau da tia dele na páscoa.
    Nem as piadas do pai dele na praia.
    Engraçado como a gente se dá conta que vai sentir falta de muito mais do que só a pessoa ou o que ela representava pra nós. (=

  4. Ave_Cezarsilveira says:

    Perdemos os lugares e ganhamos
    RECORDAÇÕES
    VIAGENS NO TEMPO, tira-se alguma coisa
    de um relacionamento.Cuidado para que nem
    todos ACABEM.
    -”ALGO MORREU”
    -MAS A MORTE NÃO VEIO
    -ALGO EM MIM QUEBROU-SE
    -OUÇO RASGOS DE CARNE… e aí vai
    cuidado para não ficar coração de PEDRA.

  5. Lyv says:

    E eu aqui na dúvida sobre o fim de um relacionamento…. Esse post com certeza me deixou muito mais apreensiva com relação ao fim (ao meu ver próximo e inevitável). Dói abrir mão não apenas de um sonho no qual acreditamos tanto (sim, é sempre o maior quando se está apaixonado), mas de todos os momentos, as “coisas” divididas, no meu caso não da família, que me odeia rs (eu roubei o filhinho querido da casa da mamãe e mostrei o mundo lá fora, as infinitas possibilidades), mas os sonhos em comum e a visão do futuro. Eu vou sentir saudade da força, dos olhares, das loucuras, da intensidade. O momentos que perderei… os sonhos que terão que mudar tb… não havia mais sonhos separados…. e eu vou lembrar constantemente da pessoa em si, da idealização que fiz dela, talvez.. e não dos lugares. Perdão pelas minhas confusões… rs
    Belo post… =]

    • Lyv, adoro quando comentários são feitos com embasamento e propriedade, como o seu!

      É verdade, abrimos mãos de montes de coisas. Se terminar bem, vai lembrar do seu ex idealizado. Se não acabarem bem, vai lembrar das brigas, mas também dos sonhos e vontades conjuntas. E aí, você quem sabe lembra dos lugares que perdeu. Eles não são tão importantes como as outras coisas, mas estão ali… Beijo

      • Lyv says:

        Estranho pensar num fim que se sente e de fato ainda não aconteceu. Questão de tempo, fato. Percebemos quando as coisas eternas chegam à finitude. Estava refletindo sobre a duração dos momentos, e pensando na sua resposta, concluí novamente que tudo deve durar exatamente sua própria infinitude. Não há como esticar alguma coisa sem distorcer, perder suas propriedades. Se a gente continua vivendo uma coisa que ja acabou, acaba perdendo a oportunidade de ter uma lembrança gostosa de um sonho, para tentar eternizar algo pontual e distorcê-lo. Não que a pontualidade das coisas as diminua, nunca, mas enfim, há uma hora em que precisamos concluir essas etapas e levar lembranças saudáveis. Enfim, estou bem confusa, mas acho que fico bem sim ^^
        A vida é feita de escolhas, não é mesmo? Então sobre ser o fim das coisas, talvez seja apenas o fim de uma etapa de um plano muito maior nessa relação. bjjj

        • Concordo plenamente. Lembra aquele papo de “terminar enquanto está por cima”? Vale aqui também. Não que algum dia queiramos terminar o relacionamento justamente quando está bom, mas é a mesma idéia. Terminar enquanto está bom, deixa lembranças boas. Quando começa a ficar ruim, bem, algo está errado não? Se não se consegue consertar, é hora de acabar. O problema é não só vermos que está na hora de acabar, mas admitir que não conseguimos consertar todos os problemas :/

          Beijos

  6. Pingback:Meu Google Reader | 30 e Alguns

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