É pelos próprios erros

É bem real que quando vamos falar de relacionamentos, homem, mulher, sexo; sempre parece que alguém já falou e/ou viveu situações exatamente iguais, ou no mínimo, ridiculamente parecidas. Isso nos dá a sensação(real) de que o assunto abordado não é inédito. Se pensarmos em mundo, raça e o escambau, não é mesmo. Mas pra nós – pra cada um – cada sensação, descobrimento, encobrimento, reação, ação e sentimento; é tudo novo.

Eu já passei de eterno sapão comedor de mosquinhas, canalha em que relacionamentos não passavam de uma semana, pra um bom moço de família, namorado fiel, noivo e quase-casado-morando-junto. Cada época, cada sentimento e cada sensação foram novos pra mim. Foram as minhas descobertas, que não foram necessariamente inéditas, mas sim, minhas.

Cada relacionamento deixou suas marcas – suas nódoas só pra citar o nome do blog – e, pra quem quis aprender algo, consegui algum conhecimento também(principalmente do que não se deve fazer).

E o insight da vez é justamente esse não.

Eu ainda não consegui descobrir exatamente os porquês(nem devem existir razões prontas e óbvias), mas alguns relacionamentos são fáceis de terminar, enquanto outros são extremamente difíceis. Sei que tem gente que vai dizer que todos são difíceis de terminar, e outros ainda dizem que todos são fáceis, mas bota é bota(Homem Cueca tm). O que desconfio sobre essa dificuldade é que ela é diretamente proporcional aos nossos próprios erros no relacionamento(e com alguns outros ingredientes, como o nível de comprometimento, obviamente).

Antes eu acreditava que o maior componente pra se terminar(ou não) a relação era, e talvez até que deveria ser, o nível de comprometimento. Oras, quanto mais eu gostasse e quisesse ficar com uma pessoa, mais difícil de terminar, certo?

Errado.

Percebi que, quanto mais você erra(e olha, você erra bagarai), sabe que errou e se sente culpado de certa forma, mais difícil de terminar. Se você erra, mas sabe que errou e fez isso porque quis, não tem problema. Se você sabe que errou mas não sente culpa, seja por vingança, canalhice ou vontade mesmo, também é simples. Mas quando você sabe que não deveria ter falado aquilo no dia do aniversário dela, que não deveria ter levantado a voz quando ela fez uma pergunta simples, que não deveria ter saído sozinho naquela noite porque estava bravo, aí você tem um problema.

O problema é que, sabendo que errou, é difícil admitir pra si mesmo o erro(o que é contrditório sim, oras, você sabe que errou). Ninguém quer ser o responsável por um relacionamento que não deu certo, isso é admitir derrota, acaba com o ego. Ninguém quer admitir que não conseguiu manter a relação que outrora era maravilhosa. E assim, mentimos pra nós mesmos, caímos na própria armadilha e nos tratamos como vítimas, sendo que somos também causadores. Aí fica difícil de se terminar. Por algum motivo obscuro, queremos tentar consertar as coisas, queremos não fazer mais aquilo do que nos arrependemos, queremos provar a nós mesmos que tudo que desabou não foi por nossa culpa.

Assim ficamos presos a casamentos, namoros, noivados, peguetes que talvez nem gostemos mais. Lembramos da idéia de que tudo um dia foi bom, e nos agarramos a ela, nos perguntando por que raios tudo não é mais como era antes. São nossos próprios erros que nos fazem errar novamente, mantendo-nos dentro do ciclo.

Nessas horas é necessário um lampejo de dignidade e amor próprio pra admitir que, mesmo que você ainda ame demais uma pessoa, não se consegue mais ter o que se tinha no começo. De vez em quando é preciso um tapa na cara(ou uma traição) pra você entender que, de fato, acabou.

OBS: esse post estava na geladeira desde 10 de junho. Por algum motivo fiquei com vergonha de publicá-lo. Não mais.

About Bruno Pedrassani

Nasci em 1985 na cidade de Curitiba - PR. Já antes de completar 2 anos, me mudei/mudaram pra Canoinhas - SC, onde vivi até os 17. Depois disso, voltei a Curitiba pra cursar Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná. Atualmente terminando o trabalho de graduação e trabalhando na CELEPAR - Companhia de Informática do Paraná. Nas horas vagas, pseudo-blogueiro, jogador, e amante(aquele que ama).
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2 Responses to É pelos próprios erros

  1. Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.5.4 no Windows Windows XP

    Cara, eu concordo que deveriamos ter mais humildade e e vergonha na cara pra admitir que acabou, mas dependendo da situação, não é tão simples assim. Acho que é bem de cada caso. Afinal peguete e casamento são coisas extremamentes diferentes.. tipo Norte e Sul. Não da pra comparar ;P Acho que por mais que pareça simples terminar um casamento por exemplo, acho que deveriamos (as pessoas) nos casar com a plena certeza do que esta fazendo e não pela paixão daquela momento. ;D Tem gente que casa pensando no divorcio ! hahaha

    Mas eu sou daqueles que, quando sinto que acabou.. não tem choradeira, não tem virgindade, não tem nada… acabo mesmo. Afinal é melhor acabar do que trair. ^^

    • Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.5.4 no Linux Linux

      Cara, eu já não acho que tenha alguma ver com humildade e vergonha não. É questão de simplesmente aceitar: acabou ou não. E peguete e casamento não são tão diferentes assim, pelo menos não quando se trata de sentimentos. No sentido legal, claro, são totalemente distintos, mas pense que é mais difícil você terminar com uma peguete que você ama, do que com um casamento com alguém que você odeia, enfim. O que quis dizer aqui é que há casos em que você não vê que tudo terminou, justamente porque ainda está tentando arrumar os próprios erros; está tentando voltar ao que era no começo, mas bem, isso não acontece. Temos que aprender que uma vez que a coisa passou, ela não será mais a mesma, nunca mais. Cabe a nós fazer com que fique melhor ou pior, simplesmente assim, mas nem tão fácil.

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