Dezenas
“Todos os dias ela ia para o colégio com uma vontade que só uma adolescente poderia ter, mas que não era vontade de estudar. Era vontade de professor mesmo.
Ele era novo no colégio: dava aulas de matemática com uma paixão pelos números que poucos tem. Um desafio nunca era um desafio completo se não pudesse ser contabilizado, analizado, minuciosamente desvendado e descrito. Em números. Não gostava de lecionar, mas bem, uma parte de fazer pesquisa acadêmica era lecionar, e como o colégio era um “anexo” da faculdade – e depois de um “jeitinho” -, adolescentes o aguardavam.
Dava suas aulas com alguma paixão, mas adolescentes não sabem o que querem. Na verdade sabem: eles querem sexo, rebeldia, drogas e mudar o mundo, e nenhuma dessas opções tinha ligação com a matemática, pelo menos do ponto de vista hormonal.
Só que nada disso importava, afinal, nem os nomes dos alunos ele decorava. Eram todos números pra ele. O um, o dois, a treze, a dezoito, o quarenta e três. O que interessava era sua pesquisa. Mas ele percebia que a dezoito se esforçava mais que o normal.
Ela já apreciava o professor antes dele ser o seu mestre de matemática. O campus era grande, mas a área reservada ao colégio era restrita. Até ele começar a dar aulas, ela só podia olhar de longe. Sempre fora envergonhada, mas algo no professor a fazia ficar com uma queimação entre as pernas, e nessas horas a verdade era sem vergonha mesmo.
No começo ela só mandava bilhetinhos anônimos, cheios de perfume e baixaria. Falava de como gostaria de sentir o membro dele entumescer em meio às suas pernas, já molhadas de tesão. Como seus lábios inferiores ansiavam por pelo menos um momento de alegria em meio ao fervor de sua paixão.
Ele olhava para a classe extasiado: nunca havia sofrido assédio parecido. Apesar de ser colégio, muitas garotas já tinham dezoito ou estavam pra completar a idade. A imaginação era o limite, e manter o anonimato era bom, pois assim as coisas ficavam no papel – e na imaginação – somente, além de que não era recomendado relações com alunos.
Se outrora a pesquisa era tudo que ele queria, a frequência e a convicção dos bilhetes anônimos estavam tomando sua atenção. Ele agora sonhava diariamente com a revelação da escritora do bilhete, e a cada noite era uma diferente. Se dar aulas já não era muito bom, agora era um martírio. Imaginar como uma adolescente quase mulher o queria já causava ereção. De fato, nas últimas semanas todas as aulas com a turma da dezoito eram aulas eretas.
A dezoito sempre que possível mostrava mais do que se pode ver. Não era excelente em matemática, mas o esforço dela era visivelmente muito maior que o de qualquer outra aluna, e ela sempre que possível queria aulas particulares. Ele sempre negava.
De fato, a dezoito virou a fixação do professor. Os bilhetes anônimos ainda eram intensos, e ele decidiu aceitar aulas particulares com ela. Mas se ele esperava alguma revelação com as particulares, decepcionou-se. A dezoito não fez nenhuma revelação, mesmo com as indiretas do professor. Aquele jogo acabara de subir o nível.
Depois da primeira aula particular, os bilhetes anônimos passaram a conter hora e local pra um encontro amoroso. Os locais descritos variavam desde salas desertas no campus, banheiros, sala do professor; até motéis da região e drive-ins.
Para um quase cinquentão, os bilhetes deixaram a libido do professor como se fosse um adolescente novamente. Fazia tempo que não se sentia tão bem, disposto e vivo, sem contar que o número de ereções diárias era realmente bom pra quem não usava a pílula azul.
Já não se aguentando mais dentro das calças, decidiu investir, e foi na particular subsequente que ele deu em cima da dezoito. A dezoito, que não era boba nem nada, se rendeu aos encantos do quase cinquentão. Ele, afoito, foi no sexo faminto que há anos não fazia. Mas como diz o ditado que apressado come cru, toda sua fome acabou em dois minutos. Dois míseros minutos. Ele, gozado, a dezoito, insatisfeita.
E foi assim que, como os dois minutos de fome, dois dias depois veio a intimação para o professor depor. Burra a dezoito não era, e uma insatisfação como aquela teria preço. A dezoito de fato tinha dezessete, e em toda sua ereção o professor esqueceu de verificar tal fato.
Isso tudo acabou ficando engraçado porque nos dois dias seguintes ele continuou recebendo bilhetes, mas no último, o dia de depor, o bilhete não era anônimo. A confissão da vontade sexual da menina veio assinado pela dezessete. Isso ficou engraçado porque a dezessete tinha, de fato, dezoito anos.
Parece que os números finalmente haviam pregado uma peça no professor.”






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quinta-feira, novembro 5th 2009 at 13:53
Ahahaha! Sabe que eu quando cresci cheguei a namorar meu ex-professor de Educação Física? Pois. Não tinha a mesma graça. Quando era professor persupuesto, teria sido beeeem mais divertido. E ainda, de menor. Na próxima encarnação hei de experimentar.
Besos, caríssimo. Tem texto novo lá em casa…
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novembro 5th, 2009 at 19:12
Pois é. Eu sempre tive taras por professoras, mas nenhuma quis nada comigo
Vou dar uma passada na sua casa entones!
Besos
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quinta-feira, novembro 12th 2009 at 07:59
Ótima crônica Bruno. Muito boa. Realmente, tara por professor(a) é algo bem comum entre os adolescentes. Lembro de uma de física da 8ª que eu até sonhava com ela velho.
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novembro 12th, 2009 at 15:51
AHAUHAU, sério? Eu sempre tive umas professoras que despertavam certas taras também, aheuhaeuhae
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