“Estava saindo da faculdade, acho que eram umas 22 ou 23h – não lembro exatamente porque a aula daquele dia tinha sido cansativa demais(calcular probabilidades nunca foi meu forte).
De mochila nas costas como sempre, me dirigi para o ponto de ônibus. E como sempre, fui olhando e prestando atenção a possíveis maloqueiros ladrões, uma vez que a faculdade fica a duas quadras de uma favela(belo lugar pra uma faculdade hein?).
Antes de atravessar a rua, percebo três maloqueiros do outro lado da rua, parados. Mas como o ponto de ônibus estava mais perto que eles, decido dar uma corrida e entrar rápido no ponto.
Passaram-se vários minutos, e a porcaria do ônibus não chegava. Não gosto de ficar muito tempo esperando, principalmente nesse horário predileto dos vagabundos que não tem o que fazer assaltar pessoas incautas.
Ainda sozinho no ponto, vejo os três maloqueiros(um casal e outro aleatório) se aproximando, pagando a passagem e entrando. Instintivamente me dirijo para o fundo do local, mas parece que o aleatório gostava do local, porque ficou bem do meu lado, praticamente encostado em mim. Não devia ter mais que 15 anos, e não devia ter mais que 2m de altura(como se fosse pouco!).
Logo que vejo o ônibus cruzar a esquina, o aleatório saca uma faca e manda eu passar tudo que tinha. Minha primeira reação foi correr, mas o casal que estava um pouco mais afastado bloqueou minha ação, com cara de poucos amigos. Murphy não quis me ajudar nesse dia.
- Passa grana, celular e o que mais tivé aê…
E antes que eu pudesse sequer responder, já estavam me revistando – quase me rasgando as roupas. Pegaram celular, umas moedas(que era o único dinheiro que carregava), meu tocador de mp3, fone de ouvido e… Murphy decidiu me ajudar. Logo que tiraram o tocador de mp3 do bolso, eles se alinharam do meu lado porque um carro policial estava passando. O aleatório sussurra:
- Se fizé alguma bobage, te furo aqui mesmo…
Fiquei quieto, só olhando o carro policial passar, e tentei acenar discretamente com a cabeça. De fato acenei, mas se os maloqueiros não viram, parecia que tampouco os policiais, pois passaram reto e se mandaram. Definitivamente Murphy não estava nem aí pra mim, ou melhor, estava de sacanagem.
Tão rápido quanto a o carro policial sumiu, eles retomaram seu assalto. Continuaram me revistando, mas acho que Murphy(ou a polícia, vai saber) tinha algo planejado pra mim. O carro policial repentinamente apareceu voltando na rua, mas de ré! Pararam perto do ponto, entraram no mesmo e começaram a batida.
- Mão na parede e perna aberta vagabundagem…
Então nós quatro(o casal, o aleatório e eu) nos postamos para a batida. Enquanto os policiais nos revistavam, perguntavam se estava tudo bem ali. O cobrador impassível e quieto, não abriu o bico(e mais tarde pensei que nem devia falar nada, coitado, ele trabalha ali, se abrir o bico no outro dia abrem o estômago dele).
Eu não sabia se falava algo ou não. O medo de uma retaliação ou perseguição me passou pela cabeça, mas porra, eu gostava do meu tocador de mp3, e a polícia deveria nos proteger, certo? Soltei:
- Ah não seu policial, tá tudo bem não. Esses três maloqueiros tavam me assaltando agora, pegaram meu dinheiro, meu tocador de mp3 e meu celular.
A sequência de fatos que se sucedeu foi épica. Assim que terminei minha frase, os três me fulminaram com um olhar. Mas não era um olhar de vingança, retaliação ou qualquer coisa vil, era um olhar de puro MEDO e CHORO. Pelo jeito não era a primeira batida que eles enfrentavam. E por batida, eu digo, cacete, pau, soco, chute e o que mais for.
O primeiro soco que levaram foi mais ou menos na altura dos rins. Acho que é uma técnica policial pra não deixar marcas no corpo. Seguiu-se uma sequência de cassetetadas e coturnadas na batata da perna, e em menos de 10 segundos os três estavam no chão, em posição fetal, apanhando dos dois policiais. Um policial olha pra mim e fala:
- Pode bater se quiser…
Eu não tinha vontade de bater. Estava contando as moedas que os policiais me entregaram(que foi muito mais que os maloqueiros tinham pegado inicialmente), e guardando meu celular e tocador de mp3. A simples visão e regozijo de ver os bandidos levando o que mereciam já estava de bom tamanho pra mim.
Uns 2 minutos depois o ônibus chegou. Agradeci os policiais, e eles me liberaram pra ir. Entrei no ônibus e cheguei em casa feliz, porque a polícia da minha cidade fazia um bom serviço.
Só me senti um pouco mal de ter ficado com o dinheiro dos maloqueiros, mas logo passou.”
Essa é uma crônica adaptada de um relato real, com autorização do relator. O que está entre parênteses expressa o pensamento na hora.
E não me venham com direitos humanos pra cima dos maloqueiros, bandido tem que apanhar e ir preso mesmo, que é pra aprender.




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hahaha
“E não me venham com direitos humanos pra cima dos maloqueiros, bandido tem que apanhar e ir preso mesmo, que é pra aprender.”
Concordo.