Eu sou um cara bastante chato com relação à escrita da língua portuguesa. Enquanto coloquialmente eu falo bastantes coisas erradas, quando se trata de escrever eu gosto que tudo esteja certo. É por isso que quando vou ler uma revista, ou anúncio, ou qualquer coisa, quero ler algo com o mínimo de erros, ou nenhum; e que se evitem ambiguidades não propositais também.
E como eu sou um cara chato, eu reclamo. Na verdade, algumas vezes a bizarrice é tão grande que preciso de bastante esforço pra entender o que o cidadão que escreveu a bizarrice quis dizer. Vamos a um exemplo:

Veja de 28/04/2010
“Médicos, pacientes e familiares relatam como enfrentaram o momento em que a vida se tornou apenas o prolongamento da morte“
Sério, eu li várias vezes essa frase pra tentar saber exatamente o que tentaram expressar, e pra ter certeza de que não era algum problema com a minha lógica, sei lá, mas sinceramente, não entendi.
Se ainda não viu nada de errado, vamos a uma definição antes, só pra situar:
Verbo
pro.lon.gar transitivo direto
Vamos ignorar o fato de que pra haver um prolongamento da morte você tem que estar morto mesmo, logo a vida nunca será o prolongamento da morte.
Primeiro fato ignorado por um erro básico de lógica, o que raios eles tentaram relatar? O momento em que a vida ficou tão miserável que se tornou apenas o adiamento da morte? Ou o senhor escritor da capa foi tão poético que quis dizer que a vida estava tão ruim que poderia ser considerada morte? Só assim pra fazer sentido.
Eu vi essa capa há uns 15 dias na fila do supermercado, e fiquei intrigado já naquele dia(sou lento pra postar e lembrar das idéias mesmo). Percebam que eu não li a matéria, o exercício aqui é entender o que a capa quer passar mesmo. Pode ser que lendo a matéria fique claro, mas não quero ler a matéria pra entender uma frase de capa. Pelo menos eu acredito que deveria ser auto-explicativa.
Agora que fizemos esse exercício de lógica e interpretação, vou deixar outra imagem aqui pra que encontrem onde está o erro
. Inclusive veio uma idéia agora, quem quiser faz um post explicando o erro da imagem abaixo em seu blog(com um link pra cá obviamente), mas com a condição de deixar pro seu leitor outra imagem com algum erro. Rá.
OBS: a imagem está ruim porque minha câmera não ajuda, mas o que interessa é que ela está aí só pra confirmar. O que está escrito ali é:
“53,5% das embalagens de PET são recicladas.”





Li, li e reli a frase da embalagem da Coca e não consegui encontrar o erro. Por favor, diga-mem nem que seja por e-mail!
Agora a da capa da Veja…
Tá, então antes de eu falar, vamos a um exercício: o que você entendeu pela frase?
Eu entendi que 53,5% das garrafas de Coca vendidas e depois descartadas pelo consumidor são recicladas.
Pois é, mas dá pra entender 2 coisas:
1) que 53,5% das garrafas que já estão sendo vendidas são recicladas, ou seja, essa porcentagem do total de garrafas existentes vieram de reciclagem, ou;
2) que 53,5% das garrafas descartadas pelo consumidor são recicladas, tornando-se outra coisa.
Provavelmente o que você entendeu(o 2) é que está correto, mas de qualquer maneira é ambíguo
Cara, eu também não me conformo quando vejo erros de escrita. Onde quer que seja!
Eu não costumo corrigir porque, na mente de quem escreve errado, somos chatos ao invés dos que querem ajudar.. A não ser que seja um erro muito grotesco. Nesse caso eu tiro onda em seguida.
Aliás, ótimo post!
Valeu cara!
Eu também não corrijo pessoas quando falam errado ou coisa assim, só quando são conhecidas e tal, mas uma empresa que vive da mídia impressa não pode deixar passar erros assim. Os caras tem editores, devem passar maior tempo só decidindo a frase de capa e sai isso? É de chorar que é isso que define a mentalidade da maioria dos brasileiros.
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Grande Bruno!!!! Blza?
Realmente é ambígua essa frase da coca-cola (não dá pra saber se se refere a 53,5% de uma garrafa ou a 53,5% do total de garrafas).
Em relação à capa da revista Veja, eu tenho uma pergunta pra você: que raios você estava fazendo olhando pra esse lixo dessa revista????? hehehehehee…
Também não li essa revista (obviamente…heheheheh), mas olhando para essa capa agora, deve ser alguma coisa relacionada à eutanásia, ou algo semelhante, alguma coisa que mudou o código de ética dos médicos (o que está escrito logo abaixo…ehehhehe). O verbo “prolongar” está substantivado e, provavelmente, está sendo utilizado no sentido de adiar/delongar….deve ser, então, algo como a vida não passar de apenas a espera pela morte, em razão de se encontrar alguém em estado vegetativo ou gravemente doente.
De qualquer forma, não vamos fazer isso com a nossa vida literária, torná-la mero prolongamento (no sentido de adiar mesmo) do conhecimento, vamos ler algo pelo menos um pouco menos parcial.
….hahahahahah….brincadeira…tem gente que gosta (cada um escolhe o que ler – estamos num país livre)…foi só a manifestação de alguém dando uma opinião, também, num país democrático.
Falou.
Abraço.
Porra Faustoo, quando você tá na fila do supermercado você olha até as Caprinhos, Teen-não-sei-o-que, Caras e todas as novidades da novela das oito
Quanto ao prolongar, foi exatamente o que achei, que deveria ser usado no sentido de adiar. Mas mesmo substantivado, desde quando prolongar se torna seu antônimo?
Abraço bróder!
Verdade cara.
Parabéns aí pelo post.
Abraço. Até mais.
O R7 é campeão de escrever coisas que no mínimo não faz sentido, como por exemplo essa notícia: http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/asfalto-derrete-e-causa-transito-em-rua-movimentada-20100712.html
“Asfalto derrete e causa ‘trânsito’ em rua movimentada”
Causa trânsito? Lendo a notícia, acho que eles queriam dizer engarrafamento (que também é uma palavra estranha).