Esses dias eu estava voltando pra casa lá pelas 6:40 da manhã. Antes que saiam me chamando de festeiro, saibam que trabalho de madrugada. E no conforto do meu carro, me esquentando no frio curitibano, estava ouvindo as notícias em uma rádio conhecida aí.
É época de eleições e tal, então que boa parte do programa matinal de notícias é falando sobre José Serra, Dilma e Marina Silva. Confesso que sou meio masoquista, até gosto de ver horário eleitoral e essas notícias sobre candidatos. Sempre dá pra dar risada de alguma coisa, e bem, você tem que se informar pra votar. Mas se informar não significa só horário eleitoral, como já falei aqui em 2008. E ao contrário do que falei antes, é bom assistir horário eleitoral, mas não se basear somente nele.
Continuando com a história da rádio. Então em determinado momento – provavelmente entre o meu bocejo matinal e uma buzinada pra um barbeiro qualquer – veio uma notícia sobre os números do PSDB e do PT em Minas Gerais. Basicamente era um comparativo entre Aécio Neves(candidato ao Senado Federal pelo PSDB) e José Serra(candidato à Presidência pelo PSDB), com citações à Dilma(candidata à Presidência pelo PT). No comparativo, falava que enquanto Aécio tem 68% de intenção de voto para o senado, José Serra tem somente 34%, mesmo sendo do mesmo partido. E mais, que até a Dilma tinha maior intenção de voto que Serra em Minas.
Até aqui a coisa estava tranquila, era uma notícia somente. Mas como sempre, aparece um “especialista” pra comentar os números, e aí a coisa desandou. Ele falou uns 5 minutos, provavelmente a parte que eu estaria dormindo no volante de volta pra casa, dizendo que não conseguia ententeder o por quê de tamanha discrepância nos números. Aí de tanto que ele não entendeu, parece que enquanto falava ele chegou a uma conclusão qualquer, dizendo que entenderíamos mais pra frente ou algo assim, mas estava inconformado.
Oras, eu explico pro senhor especialista por que Aécio tem intenção de voto muito maior. Vou recorrer a uma técnica antiquíssima que, apesar de muito conhecida, ela não é tão utilizada quanto deveria: a Lógica.
Me utilizando da lógica, vou partir da base irrefutável: Aécio já foi governador de Minas Gerais. Complementando a minha base, ele foi governador de Minas por duas vezes seguidas, ambas eleitas no primeiro turno, sendo que na segunda vez ele teve nada menos que 77,27% dos votos válidos.
Agora que a base está formada, vamos às possibilidades. Quando alguém é eleito em uma democracia, essa maioria pode:
1 – Gostar do governo do cidadão;
2 – Não gostar do governo do cidadão.
Considerando que o cidadão em questão, Aécio Neves, foi eleito duas vezes, sendo que da última vez teve 77,27% dos votos, podemos considerar que a maioria gostou do governo do cidadão. Se a maioria gostou, quer dizer que eles gostaram, e não que não gostaram, então ficamos com a opção 1.
Agora que sabemos que a maioria gostou do governo e se utilizando da pesquisa de inteções de voto em que ele tem 68% das inteções, concluímos que não só gostaram do governo dele, mas votariam novamente.
Aí faço a pergunta: quantas vezes José Serra foi governador de Minas Gerais? Nenhuma. Logo, a maioria(do povo) de Minas Gerais não sabe como ele governa. Logo, a intenção de voto não é a mesma, mesmo que os dois sejam do mesmo partido. Não é difícil né?
O povo brasileiro não vota em partido. Nós vemos a cara do cidadão, vemos o que falam dele e definimos o voto. Ser do mesmo partido não significa muito, o que interessa é quem está lá. Nem mesmo os próprios partidos mantém a linha de pensamento deles mesmos, então é difícil criar uma identidade partidária por aqui. Obviamente isso é uma generalização com muitas exceções, mas é isso que acontece na maior parte do tempo, com a maioria das pessoas votantes. Ops, da maioria das pessoas votantes que definem o voto antes de votar. Aqueles que definem na hora e esquecem depois não deveriam nem ter os votos considerados como “válidos”.
E no fim das contas, cheguei em casa sem o sono pós-trabalho porque uma notícia me fez pensar em um exercício complicadíssimo de lógica. Vai ver que era esse o objetivo.



