É, quase me confundi ao escrever o título da postagem. Hoje é o Dia da Blogagem Política, definido no Xô Censura. Deve ser um dia de refexão cidadã. Parafraseando o próprio blog: “um dia para a reflexão politica, um dia onde todos os blogs de todos as linhas editoriais apontam numa só direção, na direção da reflexão cidadã”.
Nunca fui muito de ir na onda do que os outros fazem, mas blogagens coletivas decentes - como esta - devem ser feitas.
Inicialmente, a blogagem é conseqüência direta daquele projetinho de lei de cibercrimes. Se ainda não sabe, e quiser entender do que trata, a Lu Monte escreveu dois artigos(este e este) explicando o texto, as pecularidades e o que pode acontecer caso seja aprovado.
Mas essa blogagem é para a reflexão cidadã. Já escrevi algumas vezes aqui sobre greves, crimes(inclusive o plágio que sofri), e mais uma vez, batemos na tecla da malandragem, da politicagem.
Ah, a politicagem. Muita gente sabe por senso comum o que é a tal politicagem, mas vamos ver o que o pai dos burros Houaiss nos diz:
Politicagem = política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes.
Pronto. Agora o senso comum se encontra com a definição. Politicagem não é a política do povo. Politicagem é a política própria em detrimento do resto, é a política do eu, só do próprio umbigo.
Gosto de falar sobre as mudanças da língua. Sobre as peculiaridades que a língua agrega com o passar dos tempos, vide o post sobre preconceito/prejuízo. Só que no caso político, estamos perdendo o significado original, esquecendo o que é a política.
Antes de Aristóteles lançar a obra “Política” e difundir o termo, ela já existia com seu significado. Tendo origem na palavra grega pólis(especificamente politikós), trata-se do que é relacionado à Cidade(hoje no caso, o Estado, ou nação como um todo), e tudo que é público. Leis, direitos, deveres, punições, sanções, validação de atos. Ou seja, a política é a arte de cuidar do que é de todos.
Mas como disse, estamos perdendo esse significado. Hoje o que vemos - e sentimos - é que tudo relacionado à política(e principalmente aos políticos) é ruim, é roubo. Não duvido que em pouco tempo ser chamado de político será motivo para processos de danos morais. O que é uma pena. Mas culpemos quem realmente tem culpa, que nesse caso, é o povo.
Como o CQC(aquele programa da BAND) vem dizendo ultimamente, os políticos são um reflexo de seu povo, o que é a mais pura verdade. O poder dado a uma pessoa, é dado pelo povo. E cabe ao povo cobrar o que é feito, e se é feito. Prometeu e não cumpriu, pisou na bola? Não vota mais no cidadão. Tire o poder dele. E acima de tudo, tenha consciência ao votar. Não aceite troca de votos, não venda o seu voto. Conheça em quem vai votar. Importantíssimo: lembre em quem votou, pra poder cobrar depois.
O parágrafo acima já foi dito, é batido, mas não muda. Quem viu o teste de honestidade do CQC em que todos(exceto alguns poucos, 2 ou 3) roubaram dinheiro de um cego, entende o que digo aqui. O povo - principalmente o brasileiro - vive querendo dar o seu “jeitinho”, e enquanto não nos livrarmos desse diminutivo, nada mudará. Quem entrega sua honestidade por uma nota que cai no chão, entrega um voto muito mais facilmente. E entregar um voto, é entregar o poder. Assim é a democracia que vivemos.
Portanto, esse dia de blogagem política não é só pra mostrar o não-contentamento com projetos de leis, censuras, CPIs mal direcionadas. É também um apelo para que não deixemos se perder o sentido real da política, para que nós mesmos não fiquemos perdidos. Temos que (re)aprender a lutar. Greves devem ter motivos consistentes. Quando formos nos mobilizar contra alguma coisa, que seja contra essas leis e esses abusos, e não contra alguém que possivelmente atirou uma criança pela janela. (OK, a mobilização até pode ser pras duas coisas, mas não só pra segunda, por favor). Temos que rever nossas prioridades.
Enquanto o famigerado pão e circo reinar e nos contentarmos com ele, não teremos do que reclamar. Aliás, do que estou reclamando aqui?