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Força do Murphy Policial

Postado por Bruno Pedrassani 2 Commented quarta-feira, abril 7th, 2010

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Estava saindo da faculdade, acho que eram umas 22 ou 23h – não lembro exatamente porque a aula daquele dia tinha sido cansativa demais(calcular probabilidades nunca foi meu forte).

De mochila nas costas como sempre, me dirigi para o ponto de ônibus. E como sempre, fui olhando e prestando atenção a possíveis maloqueiros ladrões, uma vez que a faculdade fica a duas quadras de uma favela(belo lugar pra uma faculdade hein?).

Antes de atravessar a rua, percebo três maloqueiros do outro lado da rua, parados. Mas como o ponto de ônibus estava mais perto que eles, decido dar uma corrida e entrar rápido no ponto.

Passaram-se vários minutos, e a porcaria do ônibus não chegava. Não gosto de ficar muito tempo esperando, principalmente nesse horário predileto dos vagabundos que não tem o que fazer assaltar pessoas incautas.

Ainda sozinho no ponto, vejo os três maloqueiros(um casal e outro aleatório) se aproximando, pagando a passagem e entrando. Instintivamente me dirijo para o fundo do local, mas parece que o aleatório gostava do local, porque ficou bem do meu lado, praticamente encostado em mim. Não devia ter mais que 15 anos, e não devia ter mais que 2m de altura(como se fosse pouco!).

Logo que vejo o ônibus cruzar a esquina, o aleatório saca uma faca e manda eu passar tudo que tinha. Minha primeira reação foi correr, mas o casal que estava um pouco mais afastado bloqueou minha ação, com cara de poucos amigos. Murphy não quis me ajudar nesse dia.

- Passa grana, celular e o que mais tivé aê…

E antes que eu pudesse sequer responder, já estavam me revistando – quase me rasgando as roupas. Pegaram celular, umas moedas(que era o único dinheiro que carregava), meu tocador de mp3, fone de ouvido e… Murphy decidiu me ajudar. Logo que tiraram o tocador de mp3 do bolso, eles se alinharam do meu lado porque um carro policial estava passando. O aleatório sussurra:

- Se fizé alguma bobage, te furo aqui mesmo…

Fiquei quieto, só olhando o carro policial passar, e tentei acenar discretamente com a cabeça. De fato acenei, mas se os maloqueiros não viram, parecia que tampouco os policiais, pois passaram reto e se mandaram. Definitivamente Murphy não estava nem aí pra mim, ou melhor, estava de sacanagem.

Tão rápido quanto a o carro policial sumiu, eles retomaram seu assalto. Continuaram me revistando, mas acho que Murphy(ou a polícia, vai saber) tinha algo planejado pra mim. O carro policial repentinamente apareceu voltando na rua, mas de ré! Pararam perto do ponto, entraram no mesmo e começaram a batida.

- Mão na parede e perna aberta vagabundagem…

Então nós quatro(o casal, o aleatório e eu) nos postamos para a batida. Enquanto os policiais nos revistavam, perguntavam se estava tudo bem ali. O cobrador impassível e quieto, não abriu o bico(e mais tarde pensei que nem devia falar nada, coitado, ele trabalha ali, se abrir o bico no outro dia abrem o estômago dele).

Eu não sabia se falava algo ou não. O medo de uma retaliação ou perseguição me passou pela cabeça, mas porra, eu gostava do meu tocador de mp3, e a polícia deveria nos proteger, certo? Soltei:

- Ah não seu policial, tá tudo bem não. Esses três maloqueiros tavam me assaltando agora, pegaram meu dinheiro, meu tocador de mp3 e meu celular.

A sequência de fatos que se sucedeu foi épica. Assim que terminei minha frase, os três me fulminaram com um olhar. Mas não era um olhar de vingança, retaliação ou qualquer coisa vil, era um olhar de puro MEDO e CHORO. Pelo jeito não era a primeira batida que eles enfrentavam. E por batida, eu digo, cacete, pau, soco, chute e o que mais for.

O primeiro soco que levaram foi mais ou menos na altura dos rins. Acho que é uma técnica policial pra não deixar marcas no corpo. Seguiu-se uma sequência de cassetetadas e coturnadas na batata da perna, e em menos de 10 segundos os três estavam no chão, em posição fetal,  apanhando dos dois policiais. Um policial olha pra mim e fala:

- Pode bater se quiser…

Eu não tinha vontade de bater. Estava contando as moedas que os policiais me entregaram(que foi muito mais que os maloqueiros tinham pegado inicialmente), e guardando meu celular e tocador de mp3. A simples visão e regozijo de ver os bandidos levando o que mereciam já estava de bom tamanho pra mim.

Uns 2 minutos depois o ônibus chegou. Agradeci os policiais, e eles me liberaram pra ir. Entrei no ônibus e cheguei em casa feliz, porque a polícia da minha cidade fazia um bom serviço.

Só me senti um pouco mal de ter ficado com o dinheiro dos maloqueiros, mas logo passou.

Essa é uma crônica adaptada de um relato real, com autorização do relator. O que está entre parênteses expressa o pensamento na hora.
E não me venham com direitos humanos pra cima dos maloqueiros, bandido tem que apanhar e ir preso mesmo, que é pra aprender.

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Não Gosto de Plágio : Eu também não

Postado por Bruno Pedrassani one Commented quinta-feira, outubro 15th, 2009

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Já comentei sobre traduções – e da importância que tem os tradutores – certa vez, aqui. Inclusive comentei que na minha opinião, o nome do tradutor deveria aparecer quase tão capitalizado em um título de livro quanto o do próprio autor, pois após uma tradução, quem traduziu passa a ser um pouco dono da obra também.

Mas quando fiz aquela postagem, eu não tinha conhecimento de certas barbaridades que rolam no mundo das editoras e traduções. Não escondo um certo fascínio por traduções e pela própria língua portuguesa(abrasileirada vá), inclusive tenho alguns projetos de tradução de livros.

E eis que conheço o excelente blog Não Gosto de Plágio, comandado pela excelente Denise Bottmann. O blog fala desses devaneios editoriais, plágios, editoras lançando livros com traduções caducas, invenções de tradutores. O pior é que pegam livros clássicos, lançam edições de bolso para os mesmos, com traduções assinadas por caras que não existem. Muitas vezes repetem o mesmo cidadão.

Como se tudo isso não fosse ruim o suficiente, não faz muito que Denise esteve no meio de outro entrave.

Certa feita, o goianiense Jornal Opção fez uma denúncia de plágio da editora Martin Claret(do “A República”, de Platão). Denise Bottmann, que não gosta de plágio, denunciou tal cópia descarada dentre tantas outras em seu blog. O problema causado? Martin Claret estava em vias de ser vendida para espanhóis(que já haviam comprado a Editora Objetiva), e isso melou o negócio. Decidiram então processar Denise Bottmann. Isso que antes Martin Claret pediu que o Jornal Opção só publicasse a reportagem de plágio após as negociações. Como perceberam, Jornal Opção não atendeu ao pedido.

Martin Claret tem muitos outros casos em seu currículo de traduções. Querem mais um? Pietro Nasseti – fiel tradutor(fictício?) da editora – já traduziu Quincas Borba, de Machado de Assis, para o português. É.

Fica claro que há má vontade de certas pessoas e editoras. O pior ainda é que sempre querem botar o de alguém na reta. Denise Bottmann, tradutora, estava simplesmente fazendo seu papel e foi processada. Por que não processaram o Jornal também? Não que eles tenham razão alguma em processar quem quer que seja.

Eu mesmo tenho várias dessas publicações de bolso da Martins Claret, e a vontade que tenho é de queimá-las agora.

E esses plágios são só alguns casos, e no mundo “offline”. Todos que criam algo, tem alguma obra intelectual – nem que sejam blogs – estão sujeitos a isso. Eu mesmo já passei por isso. Mas antes você assumir o erro do que tentar esconder embaixo de mais sujeira. Que feio Martins Claret. E não se enganem, ela não é a única não.

Tomei conhecimento pelo Livros e Afins. Você pode ver uma das postagens do Não Gosto de Plágio aqui. Notas do Jornal Opção aqui e aqui.

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Por que sempre os policiais?

Postado por Bruno Pedrassani 4 Commented quinta-feira, julho 16th, 2009

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Apesar de achar que um estado anárquico é o ideal, não passa de utopia. Pessoas vivendo juntas não sabem como lidar umas com as outras, aí o anarquismo vira motivo de xingamento, ao invés de ser “bom”. Mas uaréver, anarquismo é simplesmente a ausência do cidadão mandando fazer isso e aquilo, não necessariamente o caos.

Mas anarquismo não é o tema aqui, apesar da pequena introdução cabriocárica. (Aliás, o artigo da wikipedia em português sobre anarquismo é bom, por incrível que pareça)

O que enche o saco mesmo é como a mídia e o resto desse país gostam sacrficar policiais sempre. Não é que eles nunca tem culpa(PQP, esse negócio de não acentuar nada é ruim demais), mas sim, que constantemente os culpam mais do que quem é realmente bandido.

Eu vi a notícia na televisão, mas achei-a aqui, n’O Globo. Já começa com o título da notícia: “Policiais podem ter comprado dados sigilosos”. Tipo, não interessa se eu, você, um merda de um bandido, o papa tenha comprado dados sigilosos, muito menos como conseguiram tais dados, ou por que conseguiram. O que interessa é que a polícia pode ter comprado. Diprôma pra quê né?

Mas divago. Continuando. Havia uma empresa aí que conseguia os meus, os seus, os nossos dados e vendia por um site na internet. Bastava dar o CPF e pum! Pipocava um monte de informação sua(não que o Google não tenha um monte, mas tudo bem).

Levantaram(com Viagra, presumo eu) que o dono da tal empresa conseguia as informações com a Serasa e mais cinco empresas de marketing de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Até aqui beleza, parece que encontraram um corno vendendo meus dados na Internet. Bem, tem de monte por aí, mas é bom pegar uns de vez em quando. Aí vem um e diz que a polícia também comprava essas informações e juiz/promotor/ou-sei-lá-o-que tem piti de pelanca dizendo que vão ter que investigar, porque se prenderam alguém com essas informações vão ter que soltar os manés.

Peraê, pensemos. Qual o problema de a polícia comprar informações VERDADEIRAS de supostos bandidos? Tipo, onde o cara mora? Por que convenhamos, se o cara vende arma, droga, prostitui, é pedófilo; tem que ir pra cadeia. O cara tem culpa. Agora soltar o cara porque a polícia comprou ilicitamente a informação de onde o cara mora ou o carro que tem? Sério, o que mais de informação que a polícia pode comprar ali pra incriminar alguém? Não é ser maquiavélico(outra expressão totalmente incompreendida) – no sentido de os fins justificam os meios. É questão de que o que o bandido fez não foi comprado ali. O pedófilo é pedófilo, a única coisa que policiais fariam no caso é achar o cara mais fácil.

Maldita mania de tomar policial como bandido sempre. Basta olhar em sua volta.: está cheio de profissional ruim, podre caindo os pedaços e sem escrúpulos. Existe em todo lugar(né jornalistas?). Mas parece que virou moda meter o pau em policiais. Culpa dos filmes de isentos(tm Morroida) em que glorificam a bandidage.

Sério, metam o pau na Serasa, metam o pau em empresas, no cara que vendia, mas não nos policiais que prenderam um bandido só porque acharam ele ilicitamente. Aliás, existe isso?

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Sobre um velho assunto: Lei Seca

Postado por Bruno Pedrassani one Commented quinta-feira, janeiro 8th, 2009

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Como não me sinto à vontade com resoluções de fim/começo de ano, felicitações e afins, vou pular essa parte.

A Lei Seca já foi aprovada, já passou de ser hype, já foi falada, discutida, já deu grana aos cofres públicos, já colocou “caboco” atrás das grades. A imprensa alardeia aos quatro cantos que o negócio funcionou e arremessa valores, pesquisas do quanto diminuiu acidentes, quantas pessoas foram salvas, toda aquela ladainha de sempre.

Não vou pro lado de teorias da conspiração e dizer que as pesquisas estão erradas. Não. Acredito que estejam certas sim, ou próximas disso pelo menos. Mas não é certo dizer que tudo isso melhorou por causa da Lei Seca.

Pra um observador que pelo menos se dê ao trabalho de… observar, é fácil concluir que essa Lei Seca não é diferente da outra, pelo menos no sentido de que as duas condenam quem bebe demais. E isso já é o suficiente pra uma Lei, já é seu papel.

O que mudou então?

A impunidade.

Todos lembram como foi no começo da lei não?
Policiais nas ruas, bafômetros em mãos, muitas blitzes(será que é isso o plural?), cercos contra bares e um monte de gente preferindo ficar em casa e beber do que sair e beber. Bem, isso é o correto não? Saber beber, ou se ferrar.

Essa foi a diferença. A polícia fez o trabalho que, bem, já era dela mesmo, mas que nunca havia sido feito com a lei antiga. Isso mudou os números. Bêbados sem-noção passaram a ser pegos e a ficar com o c* nas mãos. E no mínimo com a carteira vazia. Essa é a diferença. Não deixar escapar quem comete infrações, não deixar a impunidade tomar conta.

Então erra quem pensa que todos os frutos colhidos foram da nova lei. Ela pode até ter algum efeito, mas sinceramente, o maior efeito é a polícia na rua, pegando bandido, fazendo quem deve pagar. Isso muda os números e muda um país. Obviamente nem preciso dizer que tudo já voltou a ser como era antes, ou quase. Ê meu brasilzão.

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Comprovado: SMS é mais perigoso que álcool e drogas

Postado por Bruno Pedrassani 12 Commented domingo, setembro 21st, 2008

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Agora está comprovado: SMS no volante é mais perigoso que bebidas e drogas. De acordo com uma pesquisa de um laboratório desocupado britânico, o tempo de reação de quem escreve SMS no volante cai 35%, enquanto quem consome o limite legal(lá) de álcool tem queda de 21%. Pra usuários da verdinha, é 12%.

Agora vem cá, chega mais perto. Mais um pouquinho. QUEM É A BESTA QUADRADA QUE NÃO SABIA DISSO?

Não digo nem as porcentagens, isso aí só com pesquisa mesmo. Mas alguém tinha dúvida que pegar o celular na bolsa/bolso, catar as mensagens pelos menus, escrever, ler e mandar a mensagem é mais perigoso que… qualquer coisa?

Esse tipo de pesquisa só serve pra provar o que Homer Simpson já dizia: “As pessoas inventam estatísticas para provar qualquer coisa. 40% das pessoas sabem disso.”


Mais do Pixel Addict

Porra, você precisa parar de olhar pro trânsito, prestar atenção no celular e ainda tirar pelo menos uma das mãos pra digitar a mensagem. Qualé? Sério, alguém achava que isso era menos perigoso que beber dirigir alcoolizado(se é que pode-se chamar de alcoolizado o limite legal)?

É por essas e outras que tenho vontade de fazer umas pesquisas inúteis como essa(e ganhar dinheiro com isso). Ah, ainda tenho vontade de criar um funk tão meloso e gosmento que o Brasil inteiro cante. Só pra ficar milionário. É cada uma que me aparece.

O bom agora é que, com uma pesquisa dessa dando “embasamento científico”, quando o policial te parar numa blitz depois de você ter bebido uns gorós, você pode dizer:

- Bô seu guarda, releva! Eu bem bodia dá enviando um SMS, bas dão, eu bebi um bouquinho só! Qualé, libera essa bai?

Viram só? Isso aqui também é cultura! E ainda, dando dicas de como escapar de uma blitz. Melhor que isso, só dois disso.

Agora a pergunta que não quer calar: O que é pior, quem fez a porcaria da pesquisa, ou quem publica esse tipo de coisa inútil?

Fonte: Portal Exame

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