O que aconteceu com a Grã-Britânia?
Posted by Bruno Pedrassani on 17th junho 2008
Uma das coisas mais obscuras pra mim atualmente é o nome Grã-Bretanha. Nunca consegui descobrir porque raios na tradução para o português Great-Britain virou Grã-Bretanha.
O meu problema é com o “Bretanha”. A Bretanha(Brittany) já foi um reino independente, que chegou a se aliar aos vikings(dinamarqueses) contra a expansão franca perto do ano de 865.
Na guerra dos cem anos(1337-1453) a Bretanha ainda existia como reinado - ou um ducado, o Ducado da Bretanha - e atualmente faz parte da França(incorporada em 1514). Inclusive, a Bretanha(Bretagne em francês) falava o bretão nessa época, que era bem diferente do inglês “britânico” falado nesta guerra de ingleses e franceses.
Em traduções, sempre temos os ingleses - ou “britões/britânicos” - e os bretões de fato, que seriam oriundos da Britânia e da Bretanha, respectivamente.
O que não entendo, é como Britain e Brittany viraram Bretanha. Se procurar em tradutores, as duas palavras são traduzidas como Bretanha para o português, mas pra mim é claro que sempre foram regiões diferentes, povos diferentes. Talvez para os ingleses também, visto que pra eles há diferença entre Britain e Brittany. O nome em inglês não é Great Brittany, mas sim, Great Britain, que acredito ser em uma tradução mais próxima, Grã-Britânia.
“Tá, grandes porcaria isso” você pode dizer. Bem, eu sempre achei interessante esse tipo de coisa. Eu tenho a opinião de que um povo deve ser respeitado pelo que é pra si. Eu posso discordar totalmente do que fazem, sejam sacrifícios, comer carne de algum animal, lutas, enfim; mas se pra eles isso é o certo, devo respeito, e acho até certo que o façam.
Se espanhóis gostam de touradas, que façam. Eu torço sempre pro touro arrancar o couro de algum toureiro, mas não condeno o que fazem. O toureiro deve saber a que está sujeito. O mesmo vale pra religiões e qualquer cultura. Só porque eu tenho a minha cultura, os meus valores, não quer dizer que eu deva condenar o que é totalmente contrário. Eu simplesmente não gosto, mas não vou sair em uma cruzada pra converter quem não acredita no mesmo que eu. Sim, religiões entram nesse exemplo.
Acredito que o maior erro do cristianismo foi tentar “converter” à força o resto do mundo. E acredito que esse possa ser o maior erro de qualquer pessoa. Isso eu abomino.
Religiões antigas politeístas normalmente faziam sacrifícios para os Deuses. E eles tinham plena noção de que uma vez que os Deuses eram muito mais poderosos que os homens, estes eram/são meros fantoches. Estavam sujeitos à vontade dos Deuses, e os sacrifícios serviam para mostrar que se preocupavam com seus seres superiores.
Esse tipo de visão de ser superior é uma visão que me cabe bem. Se um ser me é muito superior, eu me preocupo com ele, e não o contrário. Uma raposa Um lobo não teme uma ovelha.
Mas voltando pro caso da Bretanha, acho que no processo de tradução, algo foi perdido. Pra nós, Bretanha sempre foi sinônimo de Inglaterra, o que não é verdade. Depois dos Atos de União(1707) surgiu Great Britain, sendo que a Bretanha nem era mais um ducado independente, portanto, nem nome recebeu.
Isso é um exemplo de como o processo de tradução para o português perde muito sentido. Não só em filmes que vemos traduções totalmente bisonhas, mas também em palavras comuns do dia-a-dia mesmo.
Aqui, palavras estrangeiras sem tradução normalmente são incorporadas à ligua, viram neologismos. Em países como a França ou Espanha, há uma comissão que traduz palavras estrangeiras. Pra você ter uma idéia, o “bit” na França chama-se octet. Um é melhor que outro? Não sei. Mas não gosto de não entender o sentido do que é passado. A língua perde sua função.
PS: Se perdi referências históricas, ou falei besteira, me avisem nos comentários.
EDIT: A correção da comparação da raposa/lobo se deu graças ao Bruno Guedes. Agradecimentos.
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