A solução é proibir a meia-entrada?
Posted by Bruno Pedrassani on 31st outubro 2008
Peralá!
Os leitores mais assíduos lembrarão do texto que escrevi aqui sobre a farsa da meia-entrada. Esse texto teve uma quantidade imensa(para os meus padrões) de comentários, e discussões muito boas sobre o assunto, então recomendo a leitura do mesmo.
Agora, o senhor Azeredo(alguém não lembra dele?) decidiu que sabe muito não só de internet, cybercrime etc e tal(arrá, Sandy e Júnior hein?), mas sabe também de meia-entrada, cultura, cinema, rádio, televisão, teatro e… bem, deu pra entender.
O projeto - que será votado no Senado e, se passar, será analisado pela Câmara dos Deputados - tem até que um bom objetivo: diminuir o preço praticado pelas entradas. Só que realmente, a forma com que se quer chegar ao objetivo não é boa.
A proposta é de proibir a venda da meia-entrada(para estudantes e pessoas com mais de 60 anos de idade) nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou feriados nacionais. Para shows, teatro e quaisquer outros eventos, a meia-entrada estaria proibida de quinta-feira a sábado.
Além da proibição, o projeto tenta acabar com as carteirinhas falsificadas, criando um documento único e padronizado: Carteira de Identificação Estudantil. Obviamente que, pra esse fim, o projeto prevê a criação de um Conselho de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada.
Na verdade, há muita coisa errada nesse negócio de meia-entrada. O governo não subsidia a metade da entrada. Simplesmente lançou a lei, e o organizador/vendedor/produtor/uaréver que se vire em fornecer a meia-entrada. Só esse já é um bom motivo pra que o preço inflacione. Una a isso, 60% a 90% do total de entradas como sendo de estudantes e idosos, mais um sem número de carteiras falsificadas e pronto, o preço explode.
Quem acaba pagando por tudo isso? Todos.
O estudante que vai pagar na meia-entrada um valor inflacionado.
O não estudante, não idoso, não nada que vai pagar o valor integral, que será mais inflacionado ainda.
Essa situação realmente não é boa, pra ninguém. Mas não é proibindo uma lei que o próprio governo lançou que a situação vai normalizar. Fizeram a lei - que era pra ser um ganho da classe estudantil e blábláblá - e agora vão proibir a própria lei? Bah, chega a ser ridículo!
Até concordo com a criação de um registro único e padronizado de carteirinhas. Isso ajudaria em muito acabar com a pirataria. Mas proibir a venda de meia-entrada em certos dias da semana, esperando que os preços caiam é muita inocência, pra não dizer outra coisa. Se é pra abaixar o preço, que acabe com a lei que permite a meia-entrada. Ou então que tal limitar o número de entrada para as classes que pagam metade? Sei lá, vá, 30, 40, até 50%. Assim o organizador, cinema, teatro sabe o máximo de isentos-pagadores-de-meia-entrada que terão no evento, podendo sim, diminuir o preço.
A idéia pode até ser boa, mas novamente, a execução estraga. Enquanto isso, todos pagamos muito mais pra ver nossos shows e eventos prediletos.
Fonte: Uol Notícias
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