Desde que o mundo é mundo, e a resposta para a vida, o universo e tudo o mais é 42, o homem se “apropria” do trabalho alheio, seja pra subir na vida, na carreira ou pelo simples prazer de… roubar o trabalho e dizer que é seu.
Já falei sobre um plágio que sofri aqui. Há também esse caso, que gerou bastante barulho por esses dias. Mas hoje o assunto não é somente sobre o plágio em si, mas o roubo descarado do seu trabalho, e pior, quando o seu trabalho não é reconhecido como seu mesmo.
Por volta do século VIII e IX, quando os vikings (pra quem não sabe, eram povos escandinavos, ou também conhecidos como nórdicos) começaram a sair do que conhecemos hoje por Noruega, Suécia e Dinamarca pra dominar o mundo(OK, um pouco megalomaníaco aqui), muita morte e roubo ocorreu. Isso era normal, e um ladrão que roubava sem que o atual “dono” pudesse ter a chance de defender sua propriedade(mesmo que fosse uma galinha pra matar a fome dos filhos), era condenado à morte.
Mas essa época não era somente de morte e roubo. Havia comércio, vida, religião. Aliás, a Inglaterra já estava praticamente dominada pelo cristianismo, ao contrário dos nórdicos que ainda acreditavam nos “deuses antigos”.
Pois a história que vou contar agora para ilustrar a minha idéia se passa justamente nessa época, na Inglaterra, quando os vikings tomaram quase toda a grande ilha.
Só pra que fiquem situados, vikings eram excelentes guerreiros que amavam seus navios. Não tinham medo de batalhas, mas não gostavam de perder homens, uma vez que precisavam de todos os guerreiros pra remar e manter os navios.

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Pois certa vez os vikings chegaram ao litoral do último reino não tomado da Inglaterra(só um parênteses: a Inglaterra não era Inglaterra ainda. Eram vários reinos separados), mais precisamente em Cynuit - que é atualmente Cynuit Hillfort em Somerset - e desembarcaram. Iriam tomar esse forte perto do litoral e entrar no último reino inglês. Ancoraram seus navios, levantaram acampamento e se prepararam para a batalha.
Os vikings eram muitos, suplantando facilmente o exército de defesa de Cynuit. Os ingleses pareciam estar fadados à derrota na batalha, esta cada vez mais iminitente.
Mas eis que um dos comandantes teve uma idéia - maluca - mas uma idéia: se esgueirar pelas sombras da noite, atrás das linhas inimigas, se infiltrar no acampamento e ficar perto dos navios. Quando o dia raiasse, os vikings dinamarqueses iriam para a batalha. E era na hora da batalha que ele agiria. Lançaria fogo no maior número de navios que conseguisse.
E foi assim que ocorreu. Quando os vikings se preparavam pra subir o morro de Cynuit, ele lançou fogo nos navios dinamarqueses. Estes, vendo seus amados navios queimando, se viraram e voltaram para defender e salvar seus preciosos flutuantes. E foi aí que, já preparado pra isso, desce o pequeno exército de Cynuit, com seus cavaleiros, homens, mulheres e quem pudesse lutar. E desceram acabando com os vikings. Não havia linha de defesa, e mesmo os dinamarqueses estando em maior número, o ataque surpresa acabou com o este exército.
Foi uma grande vitória, e garantiu a defesa e sobrevivência do último reino da Inglaterra. Só que o rei precisava saber dessa vitória; então o comandante que teve a idéia foi instruído a pegar seu cavalo e correr até o rei, contar as boas novas. Ele seria recompensado, agraciado, condecorado e enriquecido. Mas este comandante não quis ir até o rei. Os dinamarqueses ainda eram perigo, e ele não sabia onde estavam sua mulher e filho. Então este comandante, ao invés de ir até o rei, foi atrás de sua família. Obviamente alguém precisava levar a notícia ao rei, logo um outro comandante - espertalhão qualquer - presente no local foi.
Obviamente este último é quem foi agraciado e tido como o vitorioso do dia. Ele roubou não só os prêmios e a bênção do rei, mas também todo o trabalho realizado pelo outro que foi atrás da família.
Essa é uma história retirada do livro “O Último Reino” de Bernard Cornwell, mas contada com minhas palavras, em uma versão simplificada.
O que esta história mostra é que o homem sempre rouba, plagia o trabalho alheio. Poderia ter contado aqui histórias atuais, que eu passei ou passo diariamente. Histórias de pessoas que estão em altos cargos porque pegaram uma documentação, trocaram os nomes e subiram na carreira. Histórias de quem pega um trabalho e faz exatamente o que o comandante inglês fez: foi o primeiro a contar pro rei, no caso o chefe. O primeiro a contar, o primeiro a receber as glórias.
Poderia falar de tudo isso, mas preferi deixar esta história viking demonstrar minha indignação. A batalha realmente ocorreu, provavelmente não exatamente assim, mas ocorreu. Hoje vou deixar a ficção mostrar que a realidade é porca. Mas só hoje.
E caso perguntem, de fato o roubo foi inglês e não viking, mas todos acham que os vikings eram animais brutos de qualquer maneira, e gostei do título.
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