Nódoa do Universo

Pra quê limpar se vai sujar depois?

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Brasileiro não sabe fazer greve

Posted by Bruno Pedrassani on 29th junho 2008

Ultimamente tenho vivido e tenho visto muitas greves. Sejam os franceses quebrando as ruas por isso, ou caminhoneiros argentinos parando por aquilo outro. O fato é que sempre que há algum trabalhador(público, normalmente) infeliz, há greve.

Não estou vindo aqui querendo cercear os direitos dos trabalhadores. Muitas vezes a greve tem sentido, tem objetivo.

O que eu não aceito é quando um sindicato dos trabalhadores - o qual teoricamente teria que defender os direitos dos mesmos - começa a “semear” uma greve sem motivo. Por “semear”, entendam como: ocultar informações, implantar a discórdia, enganar novatos. Não sei se fazem isso pra mostrar trabalho, ou porque querem realmente o que pedem, mesmo sem saber o que pedem. Isso mesmo, uma greve sem nem ao menos ter idéia do que reivindicam.

Em empresas privadas isso não ocorre. Se o funcionário não está feliz, ou dá um jeito de resolver, ou continua infeliz. Não existe greve no setor privado. Se algum infeliz fazer greve, é olho da rua, pois sempre tem outro pra substituí-lo. O vivente sabe à que está sujeito ao adentrar uma empresa. Ou segue, ou cai fora.

Já no setor público, greve é um direito. Só que estão perdendo o direito de greve, e não estou falando dos professores federais não, quanto a este assunto, leia isto.

Eu acho que o que a gente quer tá aqui ó, linha 16

Quando digo que estão perdendo é porque o que reivindicam não faz sentido. Se a empresa estivesse tirando salário, benefício, o que fosse, tudo bem. Mas quando a empresa dá estritamente o que é de lei(correção da inflação) e mais algumas coisas por fora, então não há o que chorar. Só que a ganância sempre quer mais. Se a empresa dá 3% de aumento, o sindicato pede 6%. Isso é até saudável quando está em negociação, mas não quando a negociação acaba e indica-se greve.

O pior nesse último caso, é que se vai a julgamento, os funcionários são os únicos a perder. Perdem benefícios conseguidos ao longo dos anos, e ganham de aumento a correção da inflação.

Brasileiro em geral não saber fazer greve. Agitam um monte, trocam emails, ligações, falam. Mas na hora de mandar ver, nada. Já fui em greve que começou às 10 horas da manhã, e que o sindicato, às 12:30, disse:
- Agora vamos dar uma pausa pra hora do almoço.

Obviamente todos foram embora. Que tipo de greve é essa? Que força isso mostra perante à empresa? Ao governo?

Eu respondo: nenhuma força, e é lastimável isso. Brasileiro sempre quer dar “jeitinho”, mas nunca faz a sua parte. E olha que falo como brasileiro. Se quer fazer greve, tenha objetivo, tenha o que reivindicar, e o mais importante, mostre que está lutando por isso. A falta de qualquer um desses itens resulta somente em merda. Jogada no ventilador.

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Salários

Posted by Bruno Pedrassani on 19th abril 2008

Hoje a questão aqui é sobre salários, especificamente, dos salários de professores de universidades federais.

Desde que ingressei na Universidade Federal do Paraná, ou sofremos com greves, ou sempre estamos aflitos, sem saber se uma greve está chegando ou não. Sempre foi assim, durante todos os anos que estive lá. Agora não é diferente, há uma greve iminente.

Mas perguntem, o que os professores querem? Simples, aumento de salário. Os salários deles estão congelados desde 1995. E agora não importa se eles estão pedindo 200% de aumento ou 10%. Eles têm que ganhar esse aumento. Professores, de todos os níveis, deveriam ser mais valorizados. Se ganhassem esse aumento(o que não acredito que acontecerá), saberíamos pelo menos que o dinheiro está sendo dirigido a algo que presta, e não aumentos de salários de deputados e sei lá o que.

Onde está a nota de R$1?

Querida, você viu onde deixei aquela nota de 1 real?

Claro, quem está em uma universidade sabe que há professores e professores. Há os que merecem, os que fazem de tudo pra te ensinar. E há os que estão lá só por pesquisa, e dar aula é um fardo. O mérito aqui não é esse. O fato de termos profissionais ruins em algum todos os segmentos não justifica o salário de toda a categoria. Professores devem ganhar bem. Todos. Federais, estaduais, regionais, de faculdades, escolas, seja o que for. Isso é não só um incentivo pra quem é professor, mas pra quem possa vir a ser.

O brasileiro em geral deveria dar mais importância não só ao seu país, mas também a seus professores. Nem vou comentar da “tia” da escolinha que ajudou a formar o seu caráter, ela merece também. Mas vem cá, salários congelados desde 95? Tem que ter greve. E olha que uma greve agora me atrapalha profundamente, pois é meu último semestre de Ciência da Computação na faculdade. E não só isso. Qualquer profissão deveria ter pelo menos o seu salário corrigido anualmente pela inflação do período.

É por isso que estou com os professores. O governo não tem de onde tirar o dinheiro? Claro que tem! É só tirar uma porcentagem dos salários de deputados federais, estaduais, presidentes e de quantos cargos políticos forem necessários. Ou então deixar de desviar só um pouquinho, que já há dinheiro suficiente pra pagar. Greve neles!

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