Perto de onde trabalho há uma escola de ensino primário/médio, e um pouco mais pra frente uma praça com rampas pra skatistas praticarem. Obviamente, os alunos da escola se encontram aos montes nesta praça.
Hoje voltando do trabalho, passei por tal praça, cheia de estudantes. Eu, desligado que sou, olho as coisas e não vejo nada, sempre pensando em alguma outra coisa. Mas um camarada meu olhou pros pré-pré-pré vestibulandos, e soltou uma pérola:
- “Rapaz, pensei que a guria ali era a mãe o guri que está com ela.”
Eu, inocentemente, perguntei o porquê, e ele respondeu:
- “Pois dando peito pra ele, pensei que era a mãe!”
Na hora eu ri demais. Eram praticamente duas crianças recém saídas das fraldas.
Depois, fiquei analisando a situação. Acontece em todo lugar atualmente, e todo mundo já deve ter percebido que os “casaisinhos” estão cada vez mais novos.
Aí é que eu pergunto: e a inocência, foi pra onde?
A inocência a que me refiro aqui é aquela de criança, que não conhece maldade, não conhece as malícias da vida. Aquela em que meninas tinham vergonhas dos meninos, e vice-versa. Hoje essa inocência some, é abolida, detonada, obliterada cedo, muito cedo.
Se analisarmos historicamente, as mulheres-meninas sempre se casaram cedo, e portanto, acabaram conhecendo a malícia da vida relativamente cedo. Assim que podiam, as meninas-mulheres eram casadas, normalmente com homens muito mais velhos. Não vou entrar em detalhes se isso era bom ou ruim. Simplesmente foi uma época, e pra essa época, não era cedo. Meninas já eram mulheres aos 16, como meninos eram homens aos 15. O que hoje é cedo pra nós, podia ser tarde pra eles.
Só que, as meninas casavam. Teoricamente, isso oferece algumas conveniências, e certezas. Não haviam meninas-mulheres se casando e descasando à torto e direito.
Se pensarmos em tempos mais remotos ainda, por todo o mundo sempre foi assim. Em tempos pré-católicos na Europa, a menstruação era o sinal de que a menina(já mulher) precisava de um homem. E casava-se, juntava-se ou o que quer que se fazia nessa época. Mas novamente, ela ficava com um homem, seu prometido, e nada mais.
O que está acontecendo hoje é que de certa maneira esses valores estão retornando(como tudo na humanidade). Meninas querem ser mulheres cada vez mais novas. E estão sendo, de fato. Com meninos muito novos também.
Já imaginaram um triângulo amoroso nessa idade?
De uma maneira geral eu não consideraria isso de todo ruim. O problema é a sociedade atual. É a falta de compromisso e responsabilidades.
Quando dois adultos resolvem tentar algo, sem compromisso, bem, são dois adultos, e a vida é deles. Teoricamente eles já têm uma bagagem de vida e emocional pra enfrentar quaisquer conseqüências. Mas essas crianças não. Provavelmente o namoradinho de hoje não será o de amanhã, e se a menina engravidar, bem, garanto que todo mundo conhece pelo menos um caso desse. Ou aborto, ou casam-se. Mas quem arca com as conseqüências são os pais, são os adultos.
A sociedade atual não está preparada pra esse tipo de coisa. E continuará despreparada, a menos que meninas sejam mulheres aos 13, e meninos sejam homens aos 13. Até lá, teremos surtos de abortos e meninas grávidas aos 14, destruindo suas vidas, mudando-as para sempre.
Certo ou errado? Nenhum dos dois. É somente uma época obscura da sociedade, como várias outras que já passamos. O errado é tapar os olhos pra isso, e achar que tudo se resolve por si só. Nada se resolve por si só, e o tempo definitivamente não cura qualquer coisa.
Crédito da Foto: [makelessnoise]