Brasileiro não sabe fazer greve
Ultimamente tenho vivido e tenho visto muitas greves. Sejam os franceses quebrando as ruas por isso, ou caminhoneiros argentinos parando por aquilo outro. O fato é que sempre que há algum trabalhador(público, normalmente) infeliz, há greve.
Não estou vindo aqui querendo cercear os direitos dos trabalhadores. Muitas vezes a greve tem sentido, tem objetivo.
O que eu não aceito é quando um sindicato dos trabalhadores – o qual teoricamente teria que defender os direitos dos mesmos – começa a “semear” uma greve sem motivo. Por “semear”, entendam como: ocultar informações, implantar a discórdia, enganar novatos. Não sei se fazem isso pra mostrar trabalho, ou porque querem realmente o que pedem, mesmo sem saber o que pedem. Isso mesmo, uma greve sem nem ao menos ter idéia do que reivindicam.
Em empresas privadas isso não ocorre. Se o funcionário não está feliz, ou dá um jeito de resolver, ou continua infeliz. Não existe greve no setor privado. Se algum infeliz fazer greve, é olho da rua, pois sempre tem outro pra substituí-lo. O vivente sabe à que está sujeito ao adentrar uma empresa. Ou segue, ou cai fora.
Já no setor público, greve é um direito. Só que estão perdendo o direito de greve, e não estou falando dos professores federais não, quanto a este assunto, leia isto.

Eu acho que o que a gente quer tá aqui ó, linha 16
Quando digo que estão perdendo é porque o que reivindicam não faz sentido. Se a empresa estivesse tirando salário, benefício, o que fosse, tudo bem. Mas quando a empresa dá estritamente o que é de lei(correção da inflação) e mais algumas coisas por fora, então não há o que chorar. Só que a ganância sempre quer mais. Se a empresa dá 3% de aumento, o sindicato pede 6%. Isso é até saudável quando está em negociação, mas não quando a negociação acaba e indica-se greve.
O pior nesse último caso, é que se vai a julgamento, os funcionários são os únicos a perder. Perdem benefícios conseguidos ao longo dos anos, e ganham de aumento a correção da inflação.
Brasileiro em geral não saber fazer greve. Agitam um monte, trocam emails, ligações, falam. Mas na hora de mandar ver, nada. Já fui em greve que começou às 10 horas da manhã, e que o sindicato, às 12:30, disse:
- Agora vamos dar uma pausa pra hora do almoço.
Obviamente todos foram embora. Que tipo de greve é essa? Que força isso mostra perante à empresa? Ao governo?
Eu respondo: nenhuma força, e é lastimável isso. Brasileiro sempre quer dar “jeitinho”, mas nunca faz a sua parte. E olha que falo como brasileiro. Se quer fazer greve, tenha objetivo, tenha o que reivindicar, e o mais importante, mostre que está lutando por isso. A falta de qualquer um desses itens resulta somente em merda. Jogada no ventilador.
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sábado, julho 5th 2008 at 18:14
Muito bom o post, Bruno. E na prática é isso mesmo; veja só a última greve dos motoristas de ônibus aqui de Recife: reduziram a quantidade de veículos, causaram o maior transtorno prá todo mundo e no fim quem depende de ônibus é que se ferra (como eu). Nesse caso, quem saiu no prejuízo? Nós ou os donos das companhias de bus?
Não seria melhor se eles rodassem normalmente e em determinado horário (ou um dia todo) não cobrassem passagem? Free!!! O prejuízo seria dos patrões, né? Talvez assim eles ganhassem apoio da opinião pública e uma negociação mais rápida com os seus chefes Esse post me lembrou uma história de greve, muito longa para colocar aqui. qualquer dia escrevo um post sobre ela!
Abraços.
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sábado, julho 5th 2008 at 20:42
É bem isso mesmo Bruno. Aqui em Curitiba pensamos a mesma coisa quando tivemos greve no sistema de transporte público. Deixar todos passarem na catraca e continuar rodando traz a opinião pública pro lado, e prejuízo pros patrões. Mas tenho a impressão que isso não é muito bom pra sindicatos. Posso estar enganado.
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quarta-feira, julho 16th 2008 at 08:59
Acho que você confundiu greve com piquete ou manifestação no final do post. Ninguém precisa ficar na frente da empresa pra fazer greve.
Em empresas privadas também há o direito à greve mas, como toda greve, deve ser feita em conjunto. Não adianta um funcionário só cruzar os braços, a luta não é individual, é coletiva. É preciso que se mostre que aquela classe é necessária, o valor que ela tem e o valor que estão dando. Se a polícia, os médicos ou os correios param, todo mundo sente. Pergunta se alguém vai sentir falta se engenheiro cruzar os braços? Vai demorar… rsrsrs
Nesse caso, é todo o setor que para, como os petroleiros ou funcionários do setor elétrico.
A propósito, eu sou engenheiro
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julho 16th, 2008 at 09:07
Fala Murdock!
Não confundi não. De fato, nem sempre é necessário ficar na frente da empresa mesmo. Algumas vezes basta parar o serviço pra dar impacto. Mas ficar, também não significa que é somente um piquete.
Nesse caso eu citei o que ocorreu de fato aqui onde trabalho. A paralisação foi legítima, e o objetivo da paralisação era “botar pressão” na empresa, pois não dava pra paralisar tudo ainda. Há uma lei em que a empresa pode reivindicar um número mínimo de pessoas pra manter os sistemas críticos pro Estado funcionando.
Portanto, nesse caso que citei, havia um número mínimo de pessoas mantendo os sistemas. A paralisação era justamente pra mostrar a insatisfação dos funcionários quanto à posição da empresa. Mas o que aconteceu? Meia dúzia de gato pingado, que foram almoçar e não voltaram. Se me perguntar se adiantou de algo, eu respondo que foi o mesmo que nada. E quem saiu teve que pagar as horas depois.
Abraços
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quinta-feira, julho 17th 2008 at 15:55
Eu atualizei o link
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julho 17th, 2008 at 16:04
Opa, Obrigado!
Sabe que o outro endereço estava roubando 80% das minhas visitas
. Tive que apagar
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domingo, novembro 2nd 2008 at 10:34
E quando é estudante que quer fazer greve?
A grande maioria dos estudantes que aderem à greve pensam que greve são férias antecipadas. Estudantes que realmente participam da greve, militam e que correm o risco de apanhar dos policiais e de serem expulsos são poucos.
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quinta-feira, julho 16th 2009 at 20:55
MUITO BOM BRUNO, MAS DEIXE-ME CONTAR UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA.
TRABALHO NO SETOR PRIVADO E A MINHA TURMA (CLASSE) DESEJA MUITO MUDAR CERTAS COISAS, MAS EXISTEM ALGUNS QUESITOS QUE A NÓS ESTÃO ESCONDIDOS, PERGUNTAS DO TIPO: COMO FAZER GREVE? QUAIS SÃO AS LEIS QUE AMPARAM O TRABALHADOR PARA ESSE EVENTO?… YTAYEI COM O SINDICATO, MAS ELES SÓ ME DIZEM QUE NÓS PARAMOS E ELES APÓIAM! MAS SEI QUE EXISTEM PARÂMETROS A SEREM SEGUIDOS, MAS NÃO SEI QUAIS. FAVOR RESPONDA-ME NO E-MAIL!
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julho 16th, 2009 at 21:17
Teté,
Primeiro vocês negociam com a empresa, provavelmente através do Sindicato da sua classe de trabalhadores. Uma vez que as negociações com a empresa não tenham sucesso, aí é provavelmente votado um indicativo de greve e, com maioria aceitando, entra-se em greve. Sempre demonstrando exatamente os porquês da greve, o que vocês querem, e sem arruaça. Greve é coisa séria, e não pra ficar em casa dormindo.
Quem tem que saber exatamente os parâmetros da sua classe é o sindicato, e eles é quem deveriam fazer as negociações, afinal, pra isso é que serve o sindicato. Fale com eles, eles sabem(ou deveriam) saber melhor que eu.
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quarta-feira, setembro 16th 2009 at 09:27
Fiquei curioso com uma estatística que vi no Dieese e resolvi pesquisar posts antigos que falavam no assunto.
É curioso, pois informa que a maior parte das greves em 2008 foi realizada no setor privado.
Fonte: http://www.dieese.org.br/esp/cju/balGreves2008.xml
E agora?
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