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As Crônicas de Artur

Postado por Bruno Pedrassani 12 Comentários segunda-feira, agosto 25th, 2008

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Já falei sobre Bernard Cornwell aqui, e como havia prometido, vou falar de outra trilogia desse grande escritor de romances históricos.

Essa trilogia fala sobre o Artur, aquele rei Artur que todos conhecem
a lenda. Bem, mas se o cara escreve romances históricos, não deveria
escrever sobre fatos que realmente aconteceram?

Sim, deveria. E ele o faz, mesmo falando de uma lenda.

Essa trilogia foi escrita baseando-se em fatos históricos, como todos
os outros livros de Cornwell. Ele trata a Britânia(não sabe o que é a
Britânia? Leia isso) do século V com tamanha fidelidade, que você se sente lá, vivendo naquele tempo.

É sobre a lenda de Artur, mas com a visão de Cornwell, e de como ele acha que deveria ter sido a vida de Artur no século em questão. E digo como acha, porque o próprio autor diz que nem se sabe se Artur viveu, quanto menos a sua época precisa. Sempre vemos as histórias de Artur como aquele cara que tira a espada de uma pedra, vira rei já criança, cresce, tem os cavaleiros da távola redonda, é cristão, enfim, tudo aquilo que já conhecemos.

E é aqui que entra a beleza dessa trilogia. Se Artur viveu na Britânia do século V, provavelmente era pagão. Nessa época, o cristianismo estava entrando em toda a Europa, mas o paganismo estava forte ainda. E de fato, nos livros Artur não é retratado como cristão, nem como pagão. Artur queria unir a Britânia, e a religião era só mais um motivo pra separação dos reinados existentes, portanto, ele não era nem um nem outro.

Os livros são narrados por Derfel, que desde criança foi criado por ninguém menos que Merlin. Sim, Merlin, o mago, mágico, druida e tudo-o-mais. Ele está aqui, e como é pagão tem todas as suas magias. E Cornwell está constantemente questionando-se(por intermédio de Derfel) se o que Merlin faz é realmente magia.

Derfel é um guerreiro, que acaba se tornando um dos melhores amigos de Artur. E Derfel é ainda um seguidor de Merlin, então acaba fazendo sua própria história procurando as relíquias pagãs, mesmo contra Artur.

Tudo acaba sendo interessante na trilogia. Artur nunca foi rei. Ele era filho bastardo do rei do maior reino da Britânia, e com a morte deste, o reino ficou para seu neto. Como a criança era muito pequena pra ser rei, Artur foi nomeado guardião e protetor da criança, ficando assim com o reino, mas sem ser o rei, apesar de que por muitas vezes muitos quisessem Artur no trono.

Temos Lancelot, um rei que perdeu seu reino refugiado com Artur. Mas ao contrário do que conhecemos, Lancelot aqui é covarde, medroso e mesquinho. Fez toda sua história pagando pra que os bardos cantassem vitórias das quais o mesmo nunca participou.

E Guinevere. Guinevere é uma pessoa única nesta narrativa de três partes. É linda, mas é controversa. Quer muito pra si, e não é o melhor exemplo de bondade. Gosta somente do que é belo, e chega a aprontar feio pra cima de Artur.

Há muitos personagens, retratados com a mesma perfeição em que as batalhas são retratadas. O medo e o terror de uma parede de escudos, e os espólios da vitória. Como as construções eram feitas, e como eram destruídas. Como alianças eram feitas e quebradas.

E a espada? Não foi retirada de uma pedra. Na verdade, a pedra era um local pagão em que as lutas eram travadas, homem contra homem, cada qual defendendo sua honra. E foi numa batalha dessas que Artur acaba sendo sozinho o protetor de seu rei.

A fidelidade histórica é impressionante. Artur quer reunir toda a Britânia como um reino só, pra lutar contra a invasão dos saxões, que não páram de chegar. Só que reunir seu país acaba sendo mais difícil do que imaginava. Sempre existem os traidores, os delatores. E sempre há alguém mais ganancioso, até os próprios filhos bastardos de Artur que acabam se virando contra o próprio pai.

Temos ainda uma história paralela muito peculiar, a de Tristão. Mas só lendo o livro pra entender.

Tudo, simplesmente tudo é muito bem trabalhado e relatado. E como é de praxe, ao final de cada livro há ainda as Notas Históricas, definindo o que foi inventado, o que foi deduzido, e o que é de fato verdade histórica.

Quem ainda não leu Bernard Cornwell, não sabe o que é uma batalha de verdade. Não sabe o que é sitiar uma cidade, ou o que é fazer planos pra tomar uma guarnição.

As capas dos livros nessa postagem estão na ordem dos livros da trilogia, que são:
O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur.

Como são crônicas, os livros podem ser lidos em qualquer ordem, mas como a história é em si cronológica, aconselho a leitura a partir do primeiro volume.

12 Respostas para “As Crônicas de Artur”

  1. Comentado por Cayo Medeiros aka. yogodoshi usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Windows Windows XP:

    Estou lendo o primeiro livro e sinceramente a trilogia “Em busca do graal” dá de 10×0 nessa aí, pelo menos até agora (metade do primeiro livro). Tá sendo uma leitura muito cansativa e tediosa, não tá animando nenhum pouco continuar lendo. =/

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    Bruno Pedrassani

    Resposta de Bruno Pedrassani usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Fedora Linux Fedora Linux

    Caio, não desista das Crônicas de Artur. O primeiro livro é meio entediante no começo sim, também achei. O próprio autor falou que se ele fosse escrever hoje, teria tirado boa parte do primeiro livro, muitas coisas ele mesmo não gostou. Mas do meio pro final do primeiro livro e os outros dois são muito bons. A história como um todo é boa.

    Engraçado, eu tive essa mesma sensação de que a trilogia do Graal era bem melhor, mas depois que terminei essa trilogia, a de Artur acabou se mostrando muito mais interessante.

    De qualquer maneira, é só um pouco no primeiro livro. Não desista ;)

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  2. Comentado por Ma usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.16 no Windows Windows XP:

    Preciso criar ânimo para continuar lendo… parei nas páginas iniciais do primeiro livro há mais de mês… porque estava muito muito tedioso.
    Vc jura que melhora?

    Direito de Resposta

    Bruno Pedrassani

    Resposta de Bruno Pedrassani usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Windows Windows XP

    JURO!

    O começo não é muito bom, mas a história fica muito boa, e o livro ganha a mesma cadência da trilogia do Graal. Termine ao menos o primeiro :)

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  3. Comentado por walderez usando Internet Explorer Internet Explorer 7.0 no Windows Windows Vista:

    Adoro esse autor. Já li a trilogia do Graal e essa. Gostei das duas!

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    Bruno Pedrassani

    Resposta de Bruno Pedrassani usando Safari Safari 525.13 no Mac OS Mac OS X

    Também gosto muito dele. Li “O Condenado”(acho que é esse) mas não achei assim, tããão bom quanto as duas trilogias. Agora estou lendo as Crônicas Saxônicas, e essas sim, são muito boas.

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  4. Comentado por Bárbara usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Windows Windows XP:

    Parabéns pelo artigo!

    Sou fã confessa de Bernard Cornwell, não só da trilogia de As Crônicas de Artur, mas também de A busca do Graal e As Crônicas Saxônicas. São todas perfeitas, mas meus livros prediletos são os integrantes das cronicas de Artur.

    Perdi a conta de quantas vezes li tais livros, e sempre que leio me encanto com Derfel, Nimue, Merlin, Galahad e outros personagens tão marcantes. Das histórias contadas sobre Artur essa é a que mais admiro.

    Cheguei no seu blog pelo twitter do @canha, de onde pulei para seu twitter, de onde pulei aqui para seu blog e o scroll do mouse me mostrou as capas dos livros já tão conhecidos :)

    Abraços!

    Direito de Resposta

    Bruno Pedrassani

    Resposta de Bruno Pedrassani usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.2 no Windows Windows XP

    Muito Obrigado!

    E que via sacra você fez pra me encontrar aqui hein? Mas essa é a função de redes sociais não?

    Eu também acho a trilogia do Artur a melhor. O primeiro livro é meio difícil, mas o resto da história compensa e muito. E como não se encantar com Ceinwyn e Derfel? E Tristão?

    Estou terminando de ler a Canção da Espada, das crônicas saxônicas. Em breve talvez um review dos vikings não apareça por aqui ;)

    Abraço

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  5. Comentado por Valmon Júnior usando Internet Explorer Internet Explorer 7.0 no Windows Windows Vista:

    Estou muito afim de começar a ler um livro, qual vc acha melhor o”O Arqueiro” ou “As Crônicas de Artur”?

    Direito de Resposta

    Bruno Pedrassani

    Resposta de Bruno Pedrassani usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.1b3 no Windows Windows XP

    Valmon,

    O que acho sensacional do Arqueiro é que desde o começo ele já te fisga, instigando-o a ler o livro. É bom desde as primeiras frases.

    Já O Rei do Inverno(o primeiro das Crônicas de Artur) é um pouco mais difícil e maçante de ler até a metade mais ou menos, mas daí pra frente a trilogia é sensacional.

    Apesar de eu considerar a trilogia das Crônicas de Artur melhor que a do arqueiro, aconselho-o a começar pelo do arqueiro. Ali terá certeza se vai gostar das histórias e do autor.

    Abraço

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  6. Comentado por Pedro Pastorello usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.20 no Windows Windows XP:

    Confesso que As Cronicas De Artur, foram os melhores livros que já li em minha vida, achei muito melhor que A Busca do Graal. Excalibur é fantástico, batalha do início ao fim.

    E digo que nenhum livro retrata tão bem de um modo indireto a raça humana como um todo, digo: religião, sociedade, traição, amizade, amor, coragem, honra, etc, etc, etc.

    Artur da uma explicação MUITO boa para seu filho sobre a raça humana em Excalibur e Merlin contesta todas as religiões no mesmo livro.

    Simplesmente fantástico.

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Trackbacks/Pingbacks

  1. Comentado por As Crônicas de Artur : The Movie | Nódoa do Universo usando WordPress WordPress abc:

    [...] falei sobre a trilogia do Arthorius Artur há algum tempo, aqui. Quando falei, tentei ao máximo não dar spoiler algum para os meus queridos leitores não [...]

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