Comentário Breve: Os Desafinados e Ensaio Sobre a Cegueira

Vou falar pela ordem que assisti, e não se preocupem, sem spoilers.

Os Desafinados: Como podem ver no cartaz-divulgação aí, temos figurinhas de peso no elenco dessa produção totalmente brasileira,  com direção de Walter Lima Jr.(de A Ostra e o Vento). Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Selton Mello, André Moraes, enfim, deu pra entender.

O filme é basicamente sobre música, Bossa Nova. O grupo de caras aí ao lado tem uma “banda” e quer alavancar sucesso, logo, nada melhor que ir pra New York, baby. Sendo assim, vão pros EUA quase sem grana e tentam fazer a carreira lá, mas sem deixar amores, promessas, histórias e sentimentos no Brasil.

O Selton Mello é um cineasta, amigo do grupo, que vai junto com os caras pra Nova Iorque, tentar ganhar o mundo. Aliás, parênteses pro cara. A atuação do Selton Mello sempre é única, uma diversão à parte.

O filme em si não é nada excepcional, mas tem música boa(muita bossa nova), atuações boas, e partes deveras engraçadas. O único contra do filme, e é um contra gigantemente imenso, é que o ator Arthur Kohl – que é quem faz o Dico(personagem do Selton Mello) – no presente(ou seja, mais velho), é DUBLADO pelo próprio Selton. Os caras até tentaram sincronizar direitinho os lábios, mas puts, fica totalmente artificial, além de parecer aqueles filmes brasileiros antigos em que a fala do personagem sai antes dele mexer a boca. Sério, ficou horrível colocar essa dublagem. Qual o problema de deixar a voz do Arthur mesmo? Ele tava com problema nas cordas vocais ou algo assim? Mas fora isso, o filme é razoavelmente bom.

Ensaio Sobre a Cegueira: A primeira coisa que vou dizer é que o filme superou em muito as minhas expectativas, sendo portanto, o que chamo de filmasso.

O filme é baseado na obra de de mesmo nome do escritor português, José Saramago, dirigido por Fernando Meirelles, e foi o filme de abertura do último Festival de Cinema de Cannes. Apesar de alguns críticos soltarem um “foi a abertura mais deprimente para um festival internacional”, considerei um êxito do filme, justamente por essa crítica. O filme é deprimente de fato, como deveria. Ele fala sobre uma epidemia de cegueira que assola uma cidade, um país, o mundo, não se sabe ao certo, pelo menos no filme. Mostra como a humanidade se utiliza da “Lei da Selva” sempre que pode, sempre que precisa, o que não é necessariamente bom.

Aqui há atores internacionais carimbados: Mark Ruffalo, Julianne Moore, Danny Glover, Gael García Bernal e a nossa brasileira, Alice Braga.

Não vou dizer que achei todas as atuações excelentes, mas foram pelo menos convincentes. Deu pra sentir a agonia de não poder enxergar, ter que fazer tudo, sem ver nada. Deu pra ter uma idéia da sujeira que o mundo seria com uma epidemia desse tipo. Imaginem, quem vai limpar o chão, as ruas, lavar a roupa, a louça, se ninguém enxerga? Obviamente algumas dessas ações citadas podem ser feitas com algum esforço, algumas técnicas. Mas há coisas que simplesmente não são possíveis, e isso o filme mostra bem. E não é só essa a sujeira denunciada pelo filme; ele mostra bem a sujeira que cada um trás à tona quando a coisa fica realmente complicada.

Enfm Enfim, é um filme que deve ser visto. Quem não gosta de coisas inexplicadas ou muito subjetivas talvez não aprecie tanto o filme como eu apreciei. Mas definitivamente é um filme memorável.

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About Bruno Pedrassani

Nasci em 1985 na cidade de Curitiba - PR. Já antes de completar 2 anos, me mudei/mudaram pra Canoinhas - SC, onde vivi até os 17. Depois disso, voltei a Curitiba pra cursar Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná. Atualmente terminando o trabalho de graduação e trabalhando na CELEPAR - Companhia de Informática do Paraná. Nas horas vagas, pseudo-blogueiro, jogador, e amante(aquele que ama).
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9 Responses to Comentário Breve: Os Desafinados e Ensaio Sobre a Cegueira

  1. Usando Opera Opera 9.50 no Linux Linux

    Inicialmente, obrigado por assistir “Os Desafinados”, filme sobre o qual comentei sobre demanda. Vai me poupar um trabalho imenso de… bom, ir ao cinema assistir. Nada contra o filme, mas cinema é caro, prefiro esperar o DVD.

    “Ensaio Sobre a Cegueira”: quero ler antes de assistir, e até os mais de seis meses até sair o DVD com certeza dá tempo. Eba! =D

  2. Srta. Rosa says:
    Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.3 no Windows Windows Vista

    Tô doida pra conseguir ver. :P
    Mata os outros de inveja, mata…

    Bezzos!

  3. Paulo Ruthes says:
    Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.3 no Mac OS X Mac OS X 10

    Fui ver “Ensaio sobre a cegueira” semana passada e discordo de você no ponto de que o filme é interessante. Na realidade, não é. Justo o contrário, porque ele tem tudo pra ser interessante mas é fraquíssimo em sequer criar uma história que envolva você o tempo todo (mas isso é mal de filme baseado em livro normalmente).

    A personagem da Julianne Moore é um exemplo de como uma personagem _não_ deve ser: Ela muda de maneira completamente sem sentido algum ao ambiente. Foi muito mal tratado.

    Quanto ao livro, não li. Mas já tive o desprazer de folhear algumas páginas de um livro do Saramago e é de se pensar como um desleixo de escrita daquelas conseguiu Nobel da Literatura. O cidadão desconhece pontuação. Tem frases que chegam a quase 1 página inteira, ficando complicado entender quem está falando no diálogo.

    • Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.3 no Windows Windows XP

      Essa é a beleza, a opinião. Eu me senti envolvido pela história, justamente por ser diferente desses blockbusters que você vê por aí. Na realidade, tudo é diferente nesse filme. Desde os takes fora de foco, as partes em que não se vê nada. Tudo reproduz a cegueira.

      Não entendi a mudança da personagem da Julianne Moore. Que mudança? Ela foi junto com o marido, e se adaptou à situação, como todos tiveram que se adaptar à cegueira, só que a adaptação dela foi totalmente diferente. Mas como disse, é opinião. Eu fui surpreendido por não esperar quase nada, e receber uma obra totalmente fora do convencional.

      Quanto ao livro, não posso defendê-lo nem criticá-lo: Nunca sequer o peguei na mão :)

  4. Sekiji says:
    Usando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 no Windows Windows 2000

    Também gostei muito do filme, como te disse, porém acredito que alguns pontos explorados pelo diretor, no filme, poderiam terem sidos deixados mais subentendidos, mas acredito que o objetivo do diretor era realmente chocar, mostrando a decadência e a bestialidade do ser humano em situações extremas.
    Mas para mim o enredo do filme foi de uma genialidade única, e me fez pensar bastante.
    As cenas finais, o Denny Glover rouba a cena! Sempre que vejo o cara me lembro de filmes cômicos ou papéis cômicos, como em Máquina Mortífera, e vê-lo fazendo drama é diferente hehe.
    Eu também recomendo demais o filme para quem quiser ver, e deixa eu parar por aqui senão ainda sai algum spoiler.

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